Polícia deve investigar falsificação de documento em licitação do ICV


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O médico Reinaldo Letrinta, ex-diretor do ICV, prestou depoimento à CEI dos Falsários, na última terça-feira, em Sorocaba (SP)
O médico Reinaldo Letrinta, ex-diretor do ICV, prestou depoimento à CEI dos Falsários, na última terça-feira, em Sorocaba (SP)
A Polícia Civil de Franca deve abrir um inquérito para investigar as denúncias feitas pelo médico e ex-diretor do ICV (Instituto Ciências da Vida), Reinaldo Letrinta, em seu depoimento à CEI (Comissão Especial de Inquérito) que apura a ação de uma quadrilha de falsos médicos e os sucessivos contratos assinados entre a Prefeitura de Franca e o ICV, responsável pela contratação dos falsários.
 
Na oitiva que ocorreu em Sorocaba na tarde de terça-feira, Letrinta alegou que as três propostas de orçamento, que fazem parte dos processos de contratação do ICV apresentadas pela Prefeitura à CEI, como sendo da empresa Corpe Clin, de propriedade do médico, são falsas. 
 
Letrinta reconheceu os logotipos que constam dos documentos, o endereço de sua empresa impresso, mas negou que tenha elaborado qualquer orçamento para assumir os serviços médicos dos prontos-socorros em Franca. Ele também afirmou desconhecer a pessoa que assina os documentos em nome da Corpe Clin. “A empresa é individual. Só tem eu como funcionário. Não tenho secretária ou qualquer outra pessoa trabalhando na empresa.”
 
Diante das alegações, o presidente da CEI, o vereador Márcio do Flórida (PT), decidiu encaminhar todos os documentos e uma cópia do depoimento de Letrinta à Polícia Civil. “A Polícia tem melhores condições de apurar se houve crime e de quem seria a responsabilidade. Como o fato é grave, decidimos não esperar até a conclusão da CEI”, afirmou.
 
Ontem, o delegado Luciano Henrique Cintra, que já investiga a ação dos falsos médicos em Franca, disse no final da tarde que ainda não havia recebido a documentação da Comissão. “Mas, assim que tiver tudo em mãos, devemos sim instaurar um inquérito para apurar as responsabilidades”, afirmou. 
 
Segundo Márcio do Flórida, as três propostas apontadas como falsas por Letrinta foram enviadas à Secretaria Municipal de Saúde por e-mail. “Nós, da Comissão, devemos convocar os servidores que receberam esta documentação para tentar entender o que houve.”
 
O presidente da CEI ainda afirmou que a mesma documentação deve ser encaminhada para o Ministério Público Estadual. “As denúncias são graves. Podem comprometer todo o processo que resultou nas sucessivas contratações do ICV pela Prefeitura de Franca. Encaminharemos a documentação ao Ministério Público para que tome as medidas que entender cabíveis.”

Depoimento
Na próxima semana, a CEI deve ir a Campinas (SP) ouvir o depoimento do médico e dono de outra empresa concorrente do ICV, Daniel Gutierrez. Ele é proprietário da Unidade Cambuí, empresa que participou de quatro dos cinco processos de contratação do ICV. Foi também por meio da conta desta empresa que seis dos nove falsos médicos já identificados receberam seus pagamentos do Instituto. 
 
Para poder ouvir Daniel, a CEI ingressou com um pedido judicial de condução coercitiva. “Ainda não foi julgado. Estamos na expectativa, mas caso não haja uma decisão, marcaremos o depoimento para uma nova data”, disse Márcio do Flórida. 
 

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