Comerciante que matou ex-namorada deixará CDP


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Fachada do CDP de Franca, unidade que abriga Breno Rezende desde alta do Hospital Regional
Fachada do CDP de Franca, unidade que abriga Breno Rezende desde alta do Hospital Regional
Depois de ficar 22 dias preso, o comerciante Breno Helton Costa Rezende, de 32 anos, que matou a ex-namorada Rosane Berteli de Souza, 24, deverá deixar o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Franca para cumprir prisão domiciliar. Isso porque o Ministério Público se mostrou favorável à transferência de Breno para casa após um laudo oficial do IML (Instituto Médico Legal) atestar a gravidade de seu estado de saúde por conta do tiro que deu na própria boca. 
 
Breno ficou internado 35 dias no Hospital Regional antes de ser levado para o CDP, em 13 de outubro. Dias depois, a advogada de defesa, Linda Luiza Johnlei Wu, ingressou com um pedido de liberdade provisória alegando que o local não reúne condições necessárias para cuidar da saúde de seu cliente. Na semana seguinte, o promotor Odilon Nery Comodaro solicitou à Justiça que Breno passasse por um novo exame com um médico perito oficial para avaliar seu estado de saúde.
 
Entre as indagações a serem respondidas, estavam se Breno poderia ou não ser alojado em uma cela, se demandaria cuidados especiais e quais seriam. O pedido do MP foi deferido pelo juiz José Rodrigues Arimatéa e o assassino de Rosane fez o exame no final de outubro. O resultado foi divulgado no final de terça-feira. No laudo, a médica Larissa Vertuan Freschi Landgraf afirma que Breno deve cumprir a pena em um local com plenas condições para se tratar e imediatamente.
 
Segundo a médica perita que o examinou, Breno não fala, está com o lado direito paralisado, sem parte da calota craniana e usando fraldas. Suas condições demandam um tratamento que inclui sessões diárias de fisioterapia; acompanhamento nutricional; avaliação com médico cirurgião buco-maxilar-facial; consultas periódicas com um médico neurologista e um psiquiatra, além de assistência em questões como higiene pessoal, curativos na ferida provocada pelo tiro e mudança de posição ao deitar e sentar. “Vale a pena ressaltar que a não realização da terapêutica proposta resultará em gravíssimas sequelas. Enquanto que o cumprimento, de início imediato, dará ao periciado grandes chances de recuperação parcial ou mesmo total”, afirmou a médica no laudo. 
 
Além do exame feito, o promotor Odilon Comodaro visitou Breno na prisão para avaliar suas condições de saúde. Ele constatou que, aparentemente, a situação do acusado piorou por falta de tratamento específico. Segundo o promotor, nem no local nem em outro presídio da rede estadual há condições do acusado ser medicado como necessita.
 
Por isso, ele decidiu aceitar o pedido da advogada e, na tarde de ontem, se manifestou favorável à mudança de regime prisional. “As informações médicas oficiais foram recebidas. Com base no laudo e, também por ter mantido contato com o acusado em visita ao CDP, entendi que a conversão da prisão preventiva em domiciliar é necessária. Concordei com o pedido da defesa, desde que os tratamentos mencionados pela médica sejam realizados pela família”, explicou.
 
O parecer do Ministério Público foi entregue no final da tarde de ontem à Justiça e Breno, agora, depende apenas da liberação do juiz José Rodrigues Arimatéa para cumprir a prisão domiciliar. Ele deverá ser reexaminado por um perito oficial dentro de seis meses para avaliar se precisará continuar com o benefício. 
 
A decisão foi recebida com entusiasmo por Linda Wu e pela família de Breno. “Acho que agora é uma questão de humanidade e preservação da vida. Ele piorou desde que chegou no CDP, pois nenhum tratamento foi fornecido. Estamos otimistas e no aguardo do momento em que Breno poderá voltar a fazer o tratamento adequado”, disse a advogada.
 
 
 

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