Zezé Motta, atriz de 71 anos com quase 50 deles dedicados à carreira, se sensibilizou com o ataque feito à Taís Araújo no último final de semana e usou a internet para relembrar um caso de racismo pelo qual passou em 1984, quando fazia par romântico com o ator e diretor Marcos Paulo na novela Corpo a Corpo.
“Já trabalhei em mais de 20 novelas em pouco mais de 45 anos fazendo TV. Contracenei com a Ruth de Souza em Corpo a Corpo. Interpretei a filha dela numa trama que marcou minha carreira. Fazia uma jovem de classe média que tinha um romance com o personagem do saudoso Marcos Paulo. O relacionamento não foi bem recebido por parte do público. Teve gente que me dizia: 'Eu mudo de canal quando você aparece ao lado do Marcos Paulo'. Outras pessoas falavam que não acreditavam na veracidade do casal” lembrou.
Ela também disse que chegou a perder um casamento por racismo. “Na vida real eu tive um namorado branco, e a família dele aceitava. Mas foi só a gente decidir de se casar para começar uma confusão. A mãe dele foi parar no hospital e não teve casamento”.
Ela fez outro posts para lembrar mais dois casos de racismo pelos quais passou. “Tive inúmeros casos, muitas vezes na vida. Pegando Salvador como exemplo e considerando que a Bahia é uma pequena África, lembro de dois. Estava numa festa com a Elke (Maravilha), de classe média alta, sem outros negros além de mim, começaram a perguntar por que eu estava ali, quem me levou? Um clima horrível. Noutra vez, estava na praia com Caetano (acho que era no Farol da Barra), passou um cara gritando 'Pra quem será que ela deu pra fazer sucesso?'. Eu estava vivendo um momento de exposição. O Caetano foi lá e enfrentou o cara, deu um passa-fora nele, que saiu com o rabo entre as pernas”.
Ela terminou o desabafo parabenizando a atitude da colega, afirmando que é preciso denunciar os ataques. “Precisa denunciar, mas sem perder a ternura pra não virar guerra, ou vão jogar bananas de todos os lados. Quando pensamos que avançou, acontece outro fato e depois outro e depois outro. São pessoas invejosas e sem amor no coração. E também que toda pessoa que não é racista deve sofrer com isso. E ainda, que a dor do racismo não muda, segue igual. É igual a sofrer por amor, a gente acha que quando tiver com mais idade aprende, não, tudo se repete. É gastar nosso tempo lutando contra mesquinhos!”
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