Brasil, ‘um país em liquidação’


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A situação do Brasil continua difícil. Além da crise econômica, os embates políticos que envolvem um possível processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT) e uma ação no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados contra o seu presidente, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), estão prejudicando sobremaneira a retomada do crescimento do País. Analistas continuam céticos com a possibilidade de mudança em curto prazo e os prognósticos são de que a crise pode começar a se resolver apenas em meados de 2017, caso o ajuste fiscal seja aprovado pelo Congresso Nacional e surta os efeitos esperados pela equipe econômica do governo federal. Inflação em alta, desemprego elevado e descontrole das contas públicas formam uma equação de difícil e lenta solução.
 
O empresário e presidente do conselho da BRF, ex-Pão de Açúcar, Abílio Diniz, afirmou na segunda-feira, 2, que não há uma crise econômica no Brasil, mas sim uma crise política, que tem afetado a confiança de investidores, empresários e consumidores. Segundo ele disse em entrevita a jornalistas em Nova York, “no momento em que superarmos a questão política, a solução para a situação econômica virá muito rapidamente”. Assim como ele, a maioria do empresariado do País tem a mesma opinião. Porém, o que causou uma grande repercussão foi uma frase de Abílio Diniz, na qual destaca que por causa da atual situação, o “Brasil está em liquidação”. Quis ele apontar para o cenário em que investidores estrangeiros podem fazer bons negócios com brasileiros, já que os empresários locais estão em dificuldades para saldar compromissos e continuar a produzir. Ele diz ainda que há falta generalizada de confiança, o que pode atrasar ainda mais a recuperação de nossa economia.
 
Os últimos lances envolvendo grandes empresas e redes varejistas no País, com o fechamento de unidades e vendas de fatias, como fez a Hypermarcas ao transferir à Coty a sua divisão de cosméticos, mostram que o empresário tem razão. Novos fatos devem surgir nos próximos tempos com outras indústrias, como a Alpargatas, colocando à venda alguns segmentos, e podem aumentar a participação estrangeira no setor produtivo nacional. O câmbio alto facilita estas aquisições que não são a resposta para a crise econômica. Enquanto a crise política não for contornada a solução vai ficando cada vez mais distante. É preciso que haja um esforço no sentido de buscar um caminho que seja benéfico ao País. Enquanto não houver uma união no âmbito político, uma saída para a recessão será muito difícil. Esta crise pode se estender mais do que seja possível suportar. Aí, todos nós vamos continuar sofrendo por tempo indeterminado, com a luz no fim do túnel ainda mais longe.
 
 
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