No rastro dos assassinos; saiba mais do trabalho investigativo da polícia


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Os investigadores Paulo Rodrigues e Luciano Tavares, do setor de homicídios da DIG de Franca
Os investigadores Paulo Rodrigues e Luciano Tavares, do setor de homicídios da DIG de Franca
Luciano Tavares e Paulo Rodrigues. Eles formam a dupla à frente das investigações para esclarecer mortes ocorridas em Franca. Desde 2008, os dois são responsáveis pelo setor de homicídios da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e também auxiliam em trabalhos realizados em cidades da região quando acionados.
 
Além de atuarem juntos, Luciano e Paulo têm mais elementos em comum: a paixão pela profissão e a polícia presente na família. Formado em Direito e investigador há 19 anos, Paulo, 40, é irmão do delegado Marcelo Rodrigues. Luciano, 43, cujo tio era sargento da Polícia Militar, foi incentivado pelo pai a se tornar policial civil, profissão que exerce há uma década. “Ele trabalhava com despachante numa época em que o Ciretran era de responsabilidade da Polícia Civil e tinha muita amizade com investigadores e delegados. Eu trabalhei nesse meio e meu pai me ajudou a estudar. Não deu tempo de ver seu filho se tornando policial. Ele faleceu em janeiro e passei no concurso em julho. Mas devo minha carreira ao meu pai”, disse o agente policial.
 
Mas, antes de serem chamados pelo delegado Márcio Murari para formar a equipe de homicídios, os investigadores passaram pela Dise (Delegacia de Investigações Gerais). A experiência, segundo eles, foi crucial para hoje apurarem homicídios, latrocínios, casos de agressões seguidas de morte e tentativas de assassinato. “A morte, muitas vezes, tem relação com o tráfico de drogas. Estamos nessa vertente justamente pelo serviço na especializada”, disse Paulo, que também atuou na DIG cuidando das ocorrências de roubo e furto de veículos.
 
Casos mais impactantes
Quando perguntados sobre os assassinatos que costumam chamar mais atenção nos meios policiais, Luciano e Paulo têm a mesma opinião: ocorrências envolvendo crianças. Imediatamente, os dois lembraram da “Chacina da Ouvidor Freire”, ocorrida em outubro de 2008, como ficou conhecido o caso em que o ex-seminarista Hélder Massucato Rezende matou a tiros dois dos três filhos, a mãe, feriu a mulher e outra filha e depois se matou.
 
“Fiquei com aquilo na cabeça por muitos dias. Para mim, achar um corpo no mato e dentro de casa são completamente diferentes. Você se depara com o cotidiano das pessoas e, enquanto anda pela residência, percebe que houve uma luta pela vida ali e isso com certeza mexe”, contou Luciano.
 
Na tragédia do Centro, morreram Alexandre, 7, Letícia, 10, Lourdes Massucato, 75, e o próprio Hélder. A mulher dele, Valéria Gomes Freitas, e a outra filha do casal, Júlia, 10, ficaram gravemente feridas e, hoje, anos depois, convivem com as sequelas deixadas pelos ferimentos à bala. “Quando o caso envolve crianças é o que mais mexe conosco. É impossível não se abalar ao encontrar um cenário de assassinato em que elas são vítimas”, afirmou Paulo, que destacou o caso de Yan Joaquim, de um ano e cinco meses. Ele foi morto em abril pelo próprio pai, Emerson da Silva, 28, que se matou em seguida.
 
Elucidação dos crimes
Para tentar esclarecer os homicídios de forma mais ágil, os investigadores contam com a colaboração de testemunhas. “É importante estarmos no local do crime para conversar com testemunhas. Alguém pode ter visto e pode ajudar depois, ligando para a polícia e com a possibilidade de fazer uma denúncia anônima para nos ajudar a chegar a quem matou”, disse Paulo.
 
Contudo, frequentemente Luciano e Paulo se deparam com situações complicadas e em que as pessoas se recusam a falar. Entre as razões, está o medo. “Muitos que sabem o que aconteceu ou motivou a morte deixam de falar porque temem. E mesmo que a gente tenha o serviço de Disk Denúncia (197), que preserva a identidade da testemunha, as pessoas temem”, contou Luciano.
 
Para ilustrar essa dificuldade, o investigador citou o caso dos amigos Frank José Hartman, 31, e Rafael Vituriano, 28. Eles foram mortos por um homem armado na frente de dezenas pessoas em fevereiro, em um forró no Jardim Aviação. E, embora todos tenham visto quem executou as vítimas, ninguém aponta o suspeito.
 
Os dois afirmam que mesmo diante de criminosos e casos perigosos, eles nunca foram ameaçados em campo, apenas durante audiências. Mas, de acordo com os investigadores, isso não os inibe de prosseguir com o trabalho. “Além de gostarmos do que fazemos, não nos intimidamos para esclarecermos os casos sem solução e contribuir com o papel da polícia”, disse Paulo.

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