Responsável por 100 mil mortes ao ano, AVC pode ser tratado


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Usamos um trombolítico que, se ministrado em até 4h30 desde o início dos sintomas, é capaz de dissolver o coágulo
Usamos um trombolítico que, se ministrado em até 4h30 desde o início dos sintomas, é capaz de dissolver o coágulo
Vinte e nove de outubro foi instituído o Dia Mundial do AVC (Acidente Vascular Cerebral), conhecido popularmente como derrame. A ocorrência é grave, tida como a segunda principal causa de morte no Brasil e a principal causa de incapacidade no mundo. Segundo o Ministério da Saúde, a cada 5 minutos um brasileiro morre em decorrência do AVC, contabilizando mais de 100 mil mortes por ano. Em Franca, unindo dados da Santa Casa e São Joaquim Hospital e Maternidade/Unimed, a média de vítimas de derrames atendidas é de 430 por ano. Na Santa Casa pelo menos um caso é atendido todos os dias.
 
Embora mortalidade e graves sequelas possam ser decorrências do AVC, a interpretação rápida dos sintomas e o encaminhamento do paciente ao hospital em até quatro horas e meia após o início dos sintomas é imprescindível para evitar ambas consequências ou, pelo menos, minimizar as sequelas. Ao serem observados formigamento ou fraqueza em um dos lados do corpo, súbita dificuldade para falar, enxergar e andar; perda repentina do equilíbrio, dor de cabeça explosiva sem causa aparente e vertigem, o correto é se adiantar ao possível AVC.
 
“Hoje em dia, usamos um trombolítico (medicamento) chamado alteplase que, quando ministrado em até quatro horas e meia desde o início dos sintomas, é capaz de dissolver o coágulo e evitar ou minimizar a ocorrência de sequelas”, disse o médico Marco Benedetti, coordenador da unidade de emergência do Hospital São Joaquim. 
 
Ainda de acordo com Benedetti, a aplicação de tal medicamento se dá em casos de AVCs isquêmicos e não hemorrágicos (veja detalhes no quadro ao lado). “80% dos casos são de isquêmicos, mas conseguimos aplicar o trombolítico em 20% dos casos porque, muitas vezes, o paciente chega ao hospital após quatro horas e meia do princípio dos sintomas”, completou.
 
Para evitar
Outra medida capaz de salvar vidas é a prevenção. De acordo com o neurologista Octávio Marques Pontes Neto, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP, é possível reduzir consideravelmente os casos de AVC se evitados os principais fatores de riscos: hipertensão, colesterol, tabagismo e sedentarismo. “O controle inadequado desses fatores de risco é que eleva a incidência do AVC. Mas cada vez mais os pacientes estão tendo acesso ao tratamento de prevenção desses fatores de risco sendo possível evitar em até 80% o risco de terem AVC”, disse ele durante um programa de TV do complexo acadêmico de Saúde da universidade.
 
Sequelas
O AVC se caracteriza pela perda rápida da função neurológica, decorrente do entupimento ou rompimento de vasos sanguíneos cerebrais. Há dois tipos de AVCs: o isquêmico e o hemorrágico. O primeiro é mais comum e se dá pelo entupimento de alguma artéria impedindo que o sangue chegue ao cérebro. Sem os nutrientes necessários, o cérebro pode perder algumas de suas funções. O segundo e mais grave é o hemorrágico. Nesse, se dá o rompimento da artéria e o derramamento de sangue no cérebro. “Neste caso, geralmente o paciente é levado ao coma e, quando o sangramento é muito grande, há necessidade cirúrgica”, disse Benedetti.
 
As sequelas comuns ao AVC - que podem ou não ser temporárias - são: paralisia parcial ou total do corpo, alteração na fala, no caminhar, na visão e até mesmo alteração da memória. “Muitas vezes, o paciente não consegue voltar à sua rotina normal de vida, parando inclusive de trabalhar. Algo que pode afetar não apenas a ele, mas toda a família”, concluiu ele.
 
 
 

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