Uma professora universitária de Franca e o filho dela, que era aluno do curso de psicologia, são réus em uma ação penal sob a acusação de tentativa de homicídio qualificado e podem ser levados a julgamento. De acordo com denúncia feita pelo Ministério Público e aceita pela Justiça, mãe e filho se uniram para tentar matar uma estudante por motivo torpe e com emprego de meio cruel, só não consumando o crime por circunstâncias alheias à sua vontade. A vítima foi agredida com pancadas de taco de beisebol na cabeça e correu risco de morte.
O crime aconteceu no dia 27 de agosto do ano passado em um apartamento do Residencial Paraíso, área nobre de Franca. A estudante de educação física Izabella Silva Alvarenga, 24, e Lucas Tonello Gouvêa, 23, eram vizinhos. Dois meses antes, ela teve a casa furtada e prestou queixa no 4º Distrito Policial. Os investigadores conseguiram imagens que ligariam o rapaz ao furto e o chamaram para prestar depoimento na delegacia. A participação dele não foi comprovada.
Após o interrogatório, Lucas foi ao apartamento de Izabella tirar satisfações. Ele estava acompanhado da mãe, a professora Maria Georgina Marques Tonello. Segundo o apurado pela Polícia Civil e Ministério Público, temerosa por conta do que poderia ocorrer, a universitária apoderou-se de um taco de beisebol que era usado como objeto de decoração na parede de sua casa. Ela atendeu os visitantes à porta e segurando o taco para trás. “O denunciado, então, desferiu um chute na mão de Izabella, fazendo com que ela soltasse o bastão, vindo a dele se apoderar. Sua mãe, Maria Georgina, por sua vez, segurou a vítima pelos cabelos e Lucas passou a golpeá-la violentamente na cabeça, a fim de matá-la”, escreveu o promotor Odilon Nery Comodoro, na denúncia feita à Justiça.
Ainda segundo a acusação, a agressão prosseguiu, com a vítima dominada por Maria Georgina, até que uma terceira pessoa, cujos dados são mantidos em sigilo, interveio e segurou o braço de Lucas antes que ele desferisse outro golpe na vítima, que já tinha caído ao chão. Por conta da intervenção, Izabella conseguiu fugir e os acusados foram embora.
O promotor afirma na denúncia que a vítima teve ferimentos graves na cabeça, somente não tendo ido a óbito por conta de socorro eficaz que lhe foi prestado, com intervenção médica. “Foram rompidos vasos no couro cabeludo, com intensa hemorragia que fatalmente a levaria à morte caso não tivesse ocorrido intervenção cirúrgica, conforme laudo de exame de corpo de delito.” O taco foi apreendido e exame pericial constatou sua eficácia lesiva.
O Ministério Público acusa mãe e filho de agirem por motivo torpe, pois, revoltados pelo fato de ter havido investigação policial a respeito de furto ocorrido na residência da vítima, com suspeita de autoria recaindo sobre Lucas, resolveram matá-la. “Também foram cruéis na execução do crime, agindo com brutalidade incomum e fazendo com que a vítima tivesse sofrimento atroz, pois a imobilizaram e a agrediram a golpes de bastão na cabeça, quando ela se encontrava em sua residência (revelando, inclusive, audácia)”, diz o texto.
O juiz José Rodrigues Arimatéa, das Varas do Júri e Execuções Criminais, aceitou a denúncia e deu início ao processo penal, que encontra-se em tramitação. Concluída esta fase, a Justiça decidirá se é caso de pronúncia. Se procedente, os acusados serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Temendo novas agressões, Izabella resolveu deixar Franca e foi morar com parentes no interior de Minas Gerais. Lucas se mudou para Ribeirão Preto. Maria Georgina segue em Franca.
Mãe e filho são defendidos por um escritório de Ribeirão Preto. O advogado Eduardo Maimone Aguillar disse que já apresentou a defesa dos clientes. “A acusação de tentativa de homicídio é infundada. Solicitamos perícia complementar, questionando o laudo que foi apresentado. O fato, como narrado na denúncia, não existiu. O promotor foi induzido a erro. A defesa vai provar que os dois são inocentes.”
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