Mãe e filho são acusados de tentar matar universitária


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Izabella Silva Alvarenga, 24, foi golpeada na cabeça com um taco de beisebol em agosto de 2014
Izabella Silva Alvarenga, 24, foi golpeada na cabeça com um taco de beisebol em agosto de 2014
Uma professora universitária de Franca e o filho dela, que era aluno do curso de psicologia, são réus em uma ação penal sob a acusação de tentativa de homicídio qualificado e podem ser levados a julgamento. De acordo com denúncia feita pelo Ministério Público e aceita pela Justiça, mãe e filho se uniram para tentar matar uma estudante por motivo torpe e com emprego de meio cruel, só não consumando o crime por circunstâncias alheias à sua vontade. A vítima foi agredida com pancadas de taco de beisebol na cabeça e correu risco de morte. 
 
O crime aconteceu no dia 27 de agosto do ano passado em um apartamento do Residencial Paraíso, área nobre de Franca. A estudante de educação física Izabella Silva Alvarenga, 24, e Lucas Tonello Gouvêa, 23, eram vizinhos. Dois meses antes, ela teve a casa furtada e prestou queixa no 4º Distrito Policial. Os investigadores conseguiram imagens que ligariam o rapaz ao furto e o chamaram para prestar depoimento na delegacia. A participação dele não foi comprovada.
 
Após o interrogatório, Lucas foi ao apartamento de Izabella tirar satisfações. Ele estava acompanhado da mãe, a professora Maria Georgina Marques Tonello. Segundo o apurado pela Polícia Civil e Ministério Público, temerosa por conta do que poderia ocorrer, a universitária apoderou-se de um taco de beisebol que era usado como objeto de decoração na parede de sua casa. Ela atendeu os visitantes à porta e segurando o taco para trás. “O denunciado, então, desferiu um chute na mão de Izabella, fazendo com que ela soltasse o bastão, vindo a dele se apoderar. Sua mãe, Maria Georgina, por sua vez, segurou a vítima pelos cabelos e Lucas passou a golpeá-la violentamente na cabeça, a fim de matá-la”, escreveu o promotor Odilon Nery Comodoro, na denúncia feita à Justiça.
 
Ainda segundo a acusação, a agressão prosseguiu, com a vítima dominada por Maria Georgina, até que uma terceira pessoa, cujos dados são mantidos em sigilo, interveio e segurou o braço de Lucas antes que ele desferisse outro golpe na vítima, que já tinha caído ao chão. Por conta da intervenção, Izabella conseguiu fugir e os acusados foram embora. 
 
O promotor afirma na denúncia que a vítima teve ferimentos graves na cabeça, somente não tendo ido a óbito por conta de socorro eficaz que lhe foi prestado, com intervenção médica. “Foram rompidos vasos no couro cabeludo, com intensa hemorragia que fatalmente a levaria à morte caso não tivesse ocorrido intervenção cirúrgica, conforme laudo de exame de corpo de delito.” O taco foi apreendido e exame pericial constatou sua eficácia lesiva.
 
O Ministério Público acusa mãe e filho de agirem por motivo torpe, pois, revoltados pelo fato de ter havido investigação policial a respeito de furto ocorrido na residência da vítima, com suspeita de autoria recaindo sobre Lucas, resolveram matá-la. “Também foram cruéis na execução do crime, agindo com brutalidade incomum e fazendo com que a vítima tivesse sofrimento atroz, pois a imobilizaram e a agrediram a golpes de bastão na cabeça, quando ela se encontrava em sua residência (revelando, inclusive, audácia)”, diz o texto.
 
O juiz José Rodrigues Arimatéa, das Varas do Júri e Execuções Criminais, aceitou a denúncia e deu início ao processo penal, que encontra-se em tramitação. Concluída esta fase, a Justiça decidirá se é caso de pronúncia. Se procedente, os acusados serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri.
 
Temendo novas agressões, Izabella resolveu deixar Franca e foi morar com parentes no interior de Minas Gerais. Lucas se mudou para Ribeirão Preto. Maria Georgina segue em Franca.
 
Mãe e filho são defendidos por um escritório de Ribeirão Preto. O advogado Eduardo Maimone Aguillar disse que já apresentou a defesa dos clientes. “A acusação de tentativa de homicídio é infundada. Solicitamos perícia complementar, questionando o laudo que foi apresentado. O fato, como narrado na denúncia, não existiu. O promotor foi induzido a erro. A defesa vai provar que os dois são inocentes.”

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