A confirmação, na última quarta-feira, de que oito escolas estaduais de Franca passarão a atender apenas um ciclo no próximo ano revoltou pais, professores e alunos das unidades que serão afetadas com as mudanças. Com as alterações, a partir de 2016, as unidades “Dr. Orlik Luz”, “Prof. Luiz Paride Sinelli”, “Profa. Lydia Rocha Alves”, “Profa. Odette Bueno Ribeiro”, “Profa. Suely Machado da Silva” e “Sudário Ferreira” contarão apenas com alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental. Já as escolas “Prof. Antônio Fachada” e “Torquato Caleiro” terão apenas o ensino médio. Antes todas as unidades recebiam alunos dos dois ciclos.
Ontem, inconformados com as mudanças, professores, funcionários, pais e alunos organizaram protestos. Na escola “Profa. Suely Machado da Silva”, a mobilização envolveu dezenas de alunos, que consideram a decisão uma “imposição injusta” do Governo do Estado.
Para Jéssica Rodrigues, 16, que frequenta o 2º ano na escola, a mudança pode resultar no abandono do trabalho ou mesmo dos estudos. “Eu trabalho no período da tarde e será impossível chegar na escola a tempo, se tiver que estudar no período noturno. Terei que sair do trabalho ou da escola, se essa for a única opção”, disse.
Com mais de 280 alunos estudando no ensino médio atualmente, os professores temem que a escola acabe fechando as portas nos próximos anos. Preocupados, cerca de 40 envolvidos participaram do ato, que percorreu ruas do Jardim Brasilândia.
“Sabemos que as dificuldades só atrapalharão os estudantes. Nosso medo é o aumento da evasão escolar e, ainda, a superlotação das salas de aulas”, disse uma das professoras que pediu para não ser identificada.
Moradora no Jardim Portinari e mãe de um aluno do 2º ano do ensino médio, a dona de casa Patrícia Godinho, 29, teme que o filho abandone os estudos com o fechamento do ensino médio na escola “Sudário Ferreira”. “A escola ‘Prof. Antônio Fachada’ fica longe e meu filho trabalha. Ele mesmo já me disse que, se ficar muito longe e perigoso, ele deixará de estudar”, disse.
Estudantes da escola “Profa. Lydia Rocha Alves” também estão indignados com a decisão. Para a aluna Francyene Souza, 16, a alteração do ciclo é injusta e poderá culminar na superlotação das salas e na evasão escolar. “Não concordo com a mudança e acho uma falta de respeito, estão tentando nos enfiar em salas lotadas de 40 ou 50 alunos. Como os professores vão dar conta de dar aula para uma sala superlotada?”, questionou.
Outra preocupação dos alunos é relacionada às transferências, como no caso da estudante Natália Aparecida, 17. “Tenho medo de não conseguir oportunidade em uma escola perto e acabarei tendo que trabalhar para pagar ônibus”, disse.
No início da noite, foi a vez de alunos, professores e pais protestarem contra o fechamento do ensino médio na escola “Dr. Orlik Luz”, no City Petrópolis. Aproximadamente 100 pessoas se reuniram na porta da unidade e demonstraram sua revolta.
“Eles falam da distância mínima de 1,5 quilômetro, mas não estão pensando na distância real. Muitos alunos moram no fim do bairro e terão que andar à noite e correndo perigo para estudar. A maioria dos estudantes que frequentam o ensino médio precisa trabalhar para ajudar em casa e acabará deixando a escola por falta de opção”, disse Fernanda Apolinário, uma das organizadoras do ato.
Outro lado
O Comércio procurou a Secretaria de Educação do Estado, buscando um posicionamento sobre as dúvidas e receios dos afetados com a mudança. Em resposta, o departamento informou que uma grande reunião para explicar a reorganização acontecerá no próximo dia 14 de novembro. A dirigente regional de ensino, Maria Luiza Machado, informou que falará sobre o assunto nesta sexta-feira.
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