Aparentemente, os números da balança comercial do Brasil são auspiciosos. Não são. Conforme eu disse, é só aparência. A participação brasileira no comércio mundial não passa, historicamente, de 1,3%.
Dados recentes da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), indicam que até setembro último, as exportações brasileiras, em valor, chegaram a US$ 144,4 bilhões. As importações, até o mesmo mês, bateram nos US$ 134,2 bi. Se fizermos as contas, houve superávit de US$ 10,247 bi.
Esses números, ainda que positivos, não eliminam desilusão com o desempenho brasileiro de comércio exterior. Os números ciaram percentualmente, tanto os referentes às exportações quanto os das importações, comparados com igual período do ano anterior, e não foi pouco: 16,3% e 22,6%, respectivamente. Espera-se que a atualização cambial possa trazer alento para a indústria brasileira nesse mercado.
Afora questões relacionadas com proteção aduaneira, tarifas, tratados reunindo países em pactos regionais ou intercontinentais de união e cooperação, as trocas externas criam condições para as economias nacionais crescerem e se expandir a exemplo do que ocorreu, a exemplo, com as do Japão, Coreia do Sul, China, Chile.
No comércio mundial, o desempenho de uma nação está vinculado à sua capacidade de promover inovações, contribuir para aumentar a produtividade, atuar num regime de competitividade. Há, também, a questão da escala de produção. Nesse caso, nossas plantas industriais, de empresas nacionais ou multinacionais, foram planejadas para as dimensões do mercado interno e, quando muito, do Mercosul.
Na agroindústria e na prospecção de petróleo em águas profundas podemos ser considerados ‘campeões’, mas nos demais campos da tecnologia, da produção, da gestão, o Brasil não registra aporte digno de apreciação por parte dos demais países. Sem essas qualidades e virtudes, deixaremos de aproveitar a oportunidade do desenvolvimento.
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA/USP
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