Na semana passada, mais especificamente na terça-feira, a estreia do programa MasterChef Júnior da TV Bandeirantes, a movimentação nas redes sociais foi grande. Mas ao contrário do que aconteceu na edição que reúne cozinheiros adultos, a maioria dos comentários causou uma grande revolta, já que pedófilos dominaram o Twitter, principalmente, para tecer elogios e promover ataques nada inocentes contra uma das participantes, de apenas 12 anos, alvo de anormais que se aproveitam do pseudoanonimato permitido pela Internet para escancarar os seus revoltantes instintos sexuais a crianças e adolescentes. Desta vez, embora os órgãos de mídia tenham praticamente ignorado, um menino participante da mesma edição, também de 12 anos, foi alvo de mensagens do mesmo teor.
Como se pode ver, ainda hoje, mesmo que a lei esteja mais rigorosa, crianças e adolescentes continuam à mercê de abusadores que, na maioria das vezes, estão dentro de suas próprias casas. Os pequenos nem podem mais aparecer na televisão com destaque. Quantos comentários deste tipo já não foram feitos a atores e atrizes mirins que costumam aparecer na televisão brasileira? Sobre o abuso sexual a crianças e adolescentes no Brasil, os números são assustadores. Cerca de 5% da população brasileira adulta, ou seja, 5,4 milhões de homens e mulheres foram vítimas de abuso sexual na infância ou na adolescência, segundo pesquisa divulgada em 2014 pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). As meninas são as maiores vítimas (7% da população). Os meninos vêm logo atrás (3,4%). Muita gente não pede ajuda, passa anos guardando esse segredo e, por isso, essa estatística pode ser ainda mais assustadora.
Segundo uma série de pesquisas e trabalhos científicos, estas pequenas vítimas que não buscam a cura para suas feridas, muitas vezes, desenvolvem vários problemas psíquicos e de relacionamento. O que mais assusta é que a maioria dos abusadores ataca no ambiente familiar: são parentes (pais, padrastos, tios ou amigos da vítima). Grande parte dos ataques não é denunciada. E o que é pior: alguns deles são abafados e ficam circunscritos dentro do lar. Aqueles que deveriam zelar pela segurança e integridade de crianças e adolescentes aproveitam-se de sua ascendência para atacá-las sexualmente. A lei brasileira, embora tenha tornado o estupro (hoje, considerado como qualquer tipo de abuso sexual) um crime inafiançável, não é capaz de proteger as vítimas ou monitorar os pedófilos, como se faz em outros países. Do contrário, continuaremos vendo fatos como o da semana passada se repetirem sem que nada possamos fazer.
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