A sessão de ontem da Câmara transcorria normalmente, quando o Pastor Otávio (PTB) pediu que os trabalhos fossem suspensos por 30 minutos para que eles pudessem se reunir na sala da presidência. Marco Garcia (PPS) deferiu, desde que a reunião fosse a portas abertas e livre para a imprensa acompanhar.
No começo, eram apenas seis vereadores. O número de participantes chegou a 11 no final. Eles queriam defender as constantes viagens que fazem. No domingo, o Comércio publicou que os parlamentares já gastaram R$ 159.347,06 com deslocamentos este ano. Por conta de uma lei municipal de 2010, eles não precisam comprovar quanto gastaram nem como. São livres para usar o dinheiro público das viagens como acharem melhor. A falta de controle possibilita o uso indevido do dinheiro, inclusive vantagem própria, já que não há nada que impeça.
Pastor Otávio tentou contrariar a realidade e chegou a criticar Garcia por ele ter admitido em entrevista que não há controle. “O senhor não foi feliz ao falar isto. Todos nós prestamos contas rigorosamente. Nunca deixamos de prestar.”
A prestação de contas a qual o Pastor se referiu, são fotos ou qualquer outro comprovante de que ele esteve em determinado local ou cópias de pedidos feitos. “De fato, o relatório das viagens é feito, mas não há contas prestadas de gastos com hotel e restaurante. Embora não haja nada de ilegal, pois a lei não exige isso”, completou Marco Garcia.
Campeão de viagens - 12 deslocamentos e R$ 29,6 mil gastos -, Claudinei da Rocha (PP) tentou se justificar. “Só em uma ação minha, com o Daesp, conseguimos fazer uma calçada de 2 mil metros no Aeroporto sem nenhum ‘cruzeiro’ da Prefeitura”.
Bahia (PTB) também reclamou e criticou a imprensa. “Gastamos R$160 mil, mas alguém divulgou os benefícios que conseguimos? Já trouxemos muitos recursos para a Santa Casa”.
Questionado pelo Comércio sobre o que teria conseguido, disse que seria uma emenda junto ao senador Aloysio Nunes (PSDB). Mas, em nota divulgada pela assessoria de comunicação, a Câmara informou que os recursos teriam sido solicitados por Adérmis Marini (PSDB). “Então, foi a Câmara que errou e não a imprensa. Eu pedi, o Pastor pediu, um monte de vereador pediu”, disse Bahia.
Reclamações à parte, nada de concreto foi decidido na reunião. Marco Garcia afirmou que o modelo, com pagamento de diárias sem a comprovação dos gastos por meio de notas, foi aprovado por lei de autoria do Executivo e que servidores da Prefeitura seguem a mesma regra. Disse que precisa avaliar com o Jurídico da Câmara se é possível mudar a lei. “Enquanto isso, os vereadores vão ter a opção de viajar por numerário, apresentando as notas e recebendo o que gastou, ou, então pela diária, que é o modelo atual. Eu só vou viajar com numerário. Os vereadores vão entender que é melhor apresentar a nota fiscal. Quanto mais transparente, melhor”. Já, Laercinho (PP), pensa diferente. “É melhor deixar como está, tá bão (sic) desse jeito. O estrago já foi feito. Não precisa se preocupar”.
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