A crise econômica aliada à forte concorrência de mercado tem provocado reflexos na indústria da borracha em Franca. Somente neste ano, o setor fechou 250 postos de trabalho e a expectativa é de piora até o fechamento de dezembro. Os números são do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Artefatos de Borracha de Pneumáticos de Franca, que revela uma redução de mais de 50% no quadro de funcionários em dez anos, ao passar de 4 mil empregados para apenas 1,7 mil.
Para o presidente do sindicato, Geraldo Ferreira Nobre, o problema das demissões está ligado não só ao momento de recessão do país. Além da crise, o aumento no número de empresas produtoras de artefatos de borracha para a indústria calçadista também tem prejudicado as fábricas francanas. “O setor de borracha local trabalha exclusivamente para a indústria de calçados e, agora, outras cidades de diferentes regiões se tornaram fornecedoras. A concorrência está maior.”
Nobre explicou ainda que, por depender do calçado, a indústria de borracha é atingida diretamente quando o cenário se torna desfavorável, como o atual. Segundo informações do sindicato, nos últimos dois meses além das demissões de empresas de grande e médio porte, houve o fechamento de duas fábricas, com uma média de 15 funcionários cada. “O problema é comum a todas e tem se agravado. Em setembro foram fechados em torno de 20 postos de trabalho e agora, em outubro, esse número já chega a 40.”
De acordo com o sindicalista, o cenário atual é o pior da década e não há previsão de melhoras em curto prazo. “Para a indústria de borracha recuperar, é necessário que o calçado melhore também. Se não for dessa forma, uma outra saída é diversificar a produção com autopeças, indústria química, tapetes, pneus, preservativos e balões, por exemplo.”
Amazonas
O diretor da Amazonas (uma das principais representantes do setor na cidade), Saulo Pucci, admite uma queda nos negócios e, consequentemente, uma readequação interna da empresa, com corte de despesas e de funcionários. “Todos estão sendo atingidos e, com a gente, não é diferente. Neste ano, a crise se acentuou. Com menos calçados sendo produzidos, há menos necessidade de solados. As pessoas estão enxugando os gastos.”
Entre as medidas adotadas pelo empresário está a concentração de produções. “Se antes um determinado material era produzido em duas, três unidades, agora estamos concentrando em único local, onde há mais demanda”, disse Pucci.
O empresário diz que essa recolocação diminui os gastos com logística, energia e mão de obra. “Esse trabalho acontece de maneira suave. Não houve uma demissão em massa, mas elas ocorrerão.”
Neste ano, a Amazonas calcula ter desligado de seu quadro de colaboradores cerca de 40 funcionários da unidade de Franca e, para evitar mais demissões, apresentará nesta semana um PDV (Plano de Demissão Voluntária).
A previsão é obter a adesão de 50 trabalhadores que já tenham manifestado o desejo de deixar a empresa, como no caso de aposentados e funcionários que almejam se tornar empreendedores. Aos que aderirem ao plano, a Amazonas oferecerá três salários extras, garantirá o plano de saúde e a oferta de cesta básica. A Amazonas tem 66 anos de mercado e 1,3 mil funcionários em Franca.
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