A cada dia olho o mundo com olhos novos, novos olhos. A cada amanhecer vejo a luz refletida na minha janela e penso: mais um dia! Um dia que Deus criou perfeito, iluminado, apenas para vivermos.
A cada dia vejo a presença luminosa da Criação, na esperança refletida nos olhos de uma criança, no sorriso paciente da velhinha na fila do banco, no brilho inteligente dos olhos do estagiário que começou ontem, no olhar manso do cachorro de rua que vagueia sem rumo.
A cada dia a chuva cai forte ou mansa e os pingos do orvalho deslizam nas folhas verdes da varanda.
A cada dia a terra se abre para receber as sementes de novas plantas que florescerão novos jardins.
A cada dia aquela árvore “monstra” que nasceu bem ali na curva da estrada, se dobra aos ventos do sul e o barulho das suas folhas assemelha-se à conversa de centenas de vozes. O que dizem? O que dizem? - pergunto.
A cada manhã caminhando pelo parque vazio, diviso borboletas coloridas que correm sem rumos e beijam flores indefesas.
A cada noite, as estrelas luzem no céu, a lua se veste de prata como uma jóia incrustada no breu de veludo ao qual o firmamento se formou.
A cada dia o lavrador lavra a terra, planta a semente, colhe o fruto, se verga sob o firmamento e levanta o seu rosto queimado de suor para nuvens brancas de algodão, para o sol escaldante e para o vento refrescante que o acaricia na luta.
A cada, cada dia, cada dia, como um ciclo de morte e renascimento.
E então eu te digo, olhe ao redor e veja que a natureza de Deus nasce e morre, renova a cada átimo de segundo, enquanto você dorme e de repente abre os olhos e mergulha na imensidão deste mistério e desta beleza celestial chamada VIDA.
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