Aqui no Brasil tornou-se comum um corporativismo que domina uma série de entidades, públicas ou não. Nesse contexto, políticos são responsáveis por julgar políticos. Mesmo diante de fato motivador muito grave em todos são perdoados. Aqui em Franca foi assim (que o digam Laercinho e Luiz Vergara). E na Câmara dos Deputados também ocorre o mesmo. Poucos parlamentares foram cassados em toda a história da nossa democracia, ainda que em face de robustas provas de corrupção. A maioria deles, vendo-se encurralada, renuncia ao mandato para não ter os direitos políticos suspensos por oito anos. Como se pode ver, este não é mesmo um país sério — frase atribuída ao líder francês Charles de Gaulle, mas dita realmente pelo diplomata brasileiro Carlos Alves de Souza Filho, embaixador do Brasil na França entre 1956 e 1964, genro do presidente Artur Bernardes.
Um novo exemplo disso tudo é o resultado de um levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo mostrando que sete dos 21 deputados do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados são alvo de ações no STF (Supremo Tribunal Federal). Entre eles, três já foram formalmente denunciados e respondem como réus a ações penais no tribunal. O colegiado é quem vai analisar o pedido de cassação do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), apresentado pelo PSOL e a Rede por quebra de decoro parlamentar. Cunha é acusado de envolvimento com o esquema de corrupção na Petrobrás e suspeito de manter contas secretas na Suíça com recursos provenientes de atividades criminosas, segundo a Procuradoria-Geral da República.
É deixar o gambá cuidando das galinhas ou amarrar o cachorro com linguiça. Seria o mesmo que permitir que as penas de um traficante fossem determinadas por um colegiado de ‘colegas’ do mesmo naipe. São coisas como estas que ocorrem no Brasil e que não podemos mais aceitar. No caso do Petrolão, mais de 50 políticos, entre parlamentares, ex-ministros e líderes partidários estão envolvidos. As denúncias são graves, as provas robustas e a maioria dos implicados aferra-se ao poder com a vontade que lhes falta na defesa daqueles que lhes deram o voto. Preocupam-se mais com os interesses pessoais em detrimento dos coletivos. A legislação brasileira precisa mudar muito para dar celeridade aos procedimentos capazes de eliminar de vez certos nomes da nossa política. Só isso poderá permitir que o Brasil atinja a democracia plena e se veja livre dos esquemas corruptos que só mal fazem aos brasileiros.
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