‘A escola não precisa ser autoritária, mas ter autoridade’


| Tempo de leitura: 2 min
O professor do Departamento de Educação da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos), João Virgílio Tagliavini, e a pedagoga, professora e diretora da Unicep (Centro Universitário Central Paulista), Maria Cristina Braga Tagliavini, comentam a violência nas escolas e ressaltam que o problema requer atenção da escola, governantes e da sociedade em geral. Confira trechos da entrevista com os especialistas.
 
Quais fatos provocam esses casos de violência?
É preciso tratar a questão da violência na escola no contexto amplo da educação e da sociedade contemporânea. A educação não é prioridade efetiva e, em tempos de crise, numa sociedade cruelmente desigual, o nível de violência explode. Além disso, num exemplo que vem de cima, os valores estão destruídos e os  ‘poderosos’ riem dos ‘honestos’. Isso irrita o povo e acende um certo desejo de vingança (...).
 
De que forma a falta de participação dos pais na educação dos filhos pode prejudicar as relações na sala de aula?
É preciso perguntar sobre as condições econômicas que permitem que exista uma família ideal para contribuir na educação seus filhos. Também questionar se aqueles que têm condições econômicas se dedicam à construção do ‘capital cultural’ de seus filhos, ou só dão o exemplo de levar vantagem em tudo. A classe média e a elite brasileira, em geral, tomam as dores dos filhos quando esses são corrigidos. E outro elemento é decisivo: assim como tudo é objeto de desejo e consumo, os filhos também se tornam objetos e, como não nascem prontos, são terceirizados. E crescem individualistas desamados. O que você quer colher dessa deseducação e desses exemplos? A sociedade está criando pequenos monstros.
 
Quais posturas devem ser adotadas pelos professores e pela escola para diminuir a violência?
A escola não precisa ser autoritária, mas ter autoridade. Isso derivaria de uma excelente infraestrutura escolar, professores bem formados e valorizados, currículos atualizados. É preciso construir uma escola do presente, voltada para o futuro, que coloque em prática as 20 metas do Plano Nacional de Educação, da Lei Federal 13.005, principalmente o investimento de 10% do PIB na Educação. A sociedade precisa abraçar esse modelo de escola como prioridade.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários