Uma trajetória de quase trinta anos de atuação no magistério interrompida por uma agressão física. A professora de 48 anos, que pediu para não ser identificada, vive hoje reclusa em casa e passa por tratamento psiquiátrico para tentar esquecer um triste episódio de sua carreira.
No começo deste ano, durante uma aula teórica de Educação Física em uma escola da rede estadual de Franca, um aluno atirou uma carteira contra ela e avançou para agredi-la. “Eu corri, então não fui atingida. Essa foi a primeira vez que sofri uma agressão física, mas a agressão verbal e a humilhação acontecem todos os dias”, afirmou a professora.
O aluno, que cursava a 7ª série, possuía um histórico de violência e foi suspenso por alguns dias da escola. A profissional considera que o ambiente atual das salas de aula é desanimador, frustrando os profissionais da educação. “Tudo o que estudei para ser uma professora, não faz sentido hoje. A sala de aula significa uma tortura, não sei se conseguirei voltar”, desabafou.
Casos como o desta professora somam-se aos índices de violência na cidade e engrossam estatísticas como as apontadas pela pesquisa feita pela Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) “Violência nas escolas: o olhar dos professores”.
A pesquisa mostrou que em Franca e região, entre outros dados, que de cada 10 professores, quatro já foram vítimas de agressão física e de 70 a 80% já foram atacados verbalmente ou sofreram bullying.
O problema da violência no ambiente escolar é sentido de maneira intensa. Segundo o estudo, 90% dos professores afirmaram já terem sido vítimas de algum tipo violência ou conhecerem alguém que sofreu agressões na escola. Discriminação e furto também são apontados entre as ocorrências (veja quadro nesta página).
Esses dados se referem a Franca e região, contemplando as dez cidades que fazem parte da base territorial da Diretoria de Ensino de Franca. A análise se baseou em históricos de violência municipais para compor um quadro estadual. Foram ouvidos 1.400 professores de 167 cidades do Estado de São Paulo. “Essa pesquisa foi concluída em 2013, mas esses índices se mantiveram ou pioraram”, disse o coordenador da Apeoesp Franca, Sílvio Carlos Damasceno. Segundo ele, levantamentos de nível estadual mostraram que entre os motivos dessa violência estão a dificuldade de gestão, a violência que vem de fora para dentro das escolas e questões internas das instituições.
Para o coordenador, essas situações são geradas por problemas como salas superlotadas e currículos pouco atraentes. “A Apeoesp dá respaldo judicial e orientações para os professores envolvidos nesse tipo de problema”, afirmou.
Outras ocorrências
Além da violência de estudantes contra os professores, há também registros de casos em que alunos foram agredidos por docentes ou outros alunos. Reportagens recentes publicadas pelo Comércio mostram casos envolvendo todos esses tipos de conflito. Em um deles dois alunos brigavam dentro da classe e uma professora acabou sofrendo as consequências dessa confusão. Ela foi atingida por uma lata de lixo jogada pelos alunos e registrou o caso na polícia como lesão corporal.
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