Defendemos aqui, por anos a fio, a premência de uma reforma tributária no Brasil. A necessidade é urgente, ainda mais quando se sabe que não há justiça: a maioria dos impostos, aqueles que incidem sobre o consumo, tributam de forma igual ricos e pobres. Há casos em que pelo menos 80% do valor do produto é taxado, tornando muitos deles extremamente caros em relação a similares vendidos lá fora, estimulando o contrabando e a pirataria, que causam prejuízos ao Fisco brasileiro. Especialistas consideram que a carga tributária brasileira é extremamente perversa principalmente por causa dos impostos incidentes sobre o consumo, onde a taxa é a mesma para todos, independente dos vencimentos. No Brasil, a tributação sobre consumo pesa mais do que a sobre renda e patrimônio. Para tributaristas, esse modelo é injusto, pois recai de modo igual sobre ricos e pobres.
O IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação) estima que, em 2015, 41,37% de todo o rendimento que os brasileiros ganharem, em média, será destinado para pagar impostos. Deste percentual, 23,38% são sobre o consumo; 15.06% sobre rendimentos e apenas 3,03% sobre o patrimônio. ICMS, PIS, Cofins e IPI são os que mais pesam no consumo dos brasileiros. Cerca de 50% da arrecadação no Brasil é sobre o que se compra, contra 25% da média mundial. Por isso um produto vendido aqui chega a custar até três vezes mais do que um similar, vendido no Exterior. Aqui, os impostos levam quase a metade do preço de um televisor. Perto de 56% do valor do litro de gasolina vai para tarifas, taxas e contribuições que incidem sobre o produto.
Enquanto um brasileiro tem que trabalhar 151 dias no ano para pagar os impostos, o americano compromete 98 dias de trabalho com a tributação. Enquanto a carga tributária do Brasil é de 35,95% do PIB, grande parte disso não retorna em serviços à população, ao contrário de outros países, onde a carga é maior, mas não serve para uma inflada (e ineficiente) máquina administrativa e nem para alimentar esquemas corruptos e fraudulentos que são registrados não apenas no governo federal, mas também nos estaduais e municipais. Ainda conforme o IBPT, os brasileiros com renda até três salários mínimos mensais contribuem com a maior fatia dos impostos pagos no País. Essa parcela da população paga 53,79% do total de impostos arrecadados. Por isso, a reforma tributária, que já vinha sendo defendida há pelo menos duas décadas, é necessária para que o Brasil também faça a justiça fiscal, onde cada um pagaria o seu imposto de acordo com a sua renda e patrimônio.
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