Franca fecha 391 postos de trabalho no mês de setembro


| Tempo de leitura: 3 min
Movimentação no Centro de Franca: economista diz que números são retrato da atual conjuntura do país, que ‘está em frangalhos’
Movimentação no Centro de Franca: economista diz que números são retrato da atual conjuntura do país, que ‘está em frangalhos’
O Ministério do Trabalho e Emprego divulgou ontem, 23, os números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) referentes ao mês de setembro e revelou uma retração na geração de vagas em Franca. O saldo ficou negativo em 373 postos de trabalho e se somou ao resultado pífio de 589 vagas perdidas em julho e as 562 de julho. Antes, o mês de maio já havia fechado em baixa, com o encerramento de 391 vagas.
 
Acostumada a gerar - ou repor as vagas fechadas no fim de ano - mais de 10 mil empregos ao longo dos nove primeiros meses do ano, a cidade amarga, diante desse cenário, o pior resultado da série histórica. Foram geradas, de janeiro a setembro de 2015, apenas 4.621 vagas. Antes, o menor saldo registrado desde 2003, nesse intervalo, havia sido no ano passado, quando foram criadas 6.230 vagas de trabalho (veja quadro nesta página). 
 
Segundo o presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão, a indústria calçadista local deveria readmitir, para recuperar os índices do ano passado, 6.664 trabalhadores. Mas, até o último mês, havia recolocado somente 4.011 funcionários. “Não estamos criando vagas, pois ainda há uma defasagem”, disse. “Mediante a situação econômica do país, o setor calçadista não chegou ao fim do poço como era esperado. Mesmo diante de um cenário de inflação e alta dos juros, conseguimos repor parte da sazonalidade. Os números são bons, se olharmos para o país como um todo.”
 
É exatamente isso que mostra o Caged. Embora os números atuais do emprego na cidade sejam inferiores ao comparativo dos últimos 12 anos, Franca continua sendo líder na geração - reposição - de postos de trabalho no Brasil. A cidade ocupa a primeira posição do país, 39 vagas à frente da segunda colocada, que ficou para Juazeiro, na Bahia. Em seguida aparece Pontal, também no interior paulista, e Petrolina, em Pernambuco. Na lista dos dez primeiros do ranking não há sequer uma capital.
 
Para o professor de economia do Uni-Facef, Hélio Braga Filho, se comparados aos anos anteriores da cidade, os números são um retrato da atual conjuntura do país, que “está em frangalhos”, mas se a base de comparação for outras localidades e outros indicadores, Franca está na contramão. “O resultado não é o ideal, mas dos males o menor. Os dados mostram que a cidade está se ajustando e não sofreu tanto como outros polos, como da construção civil e automotivo.”
 
Segundo o especialista, a melhora da exportação na indústria calçadista favoreceu a cidade diante de um cenário com indicadores considerados péssimos. A opinião é compartilhada por Brigagão que revela um crescimento de 7,15% nas exportações de pares de calçados até agosto deste ano, comparado ao mesmo período de 2014. “Mas, se não fossem as exportações, a situação poderia ser pior.”
 
Sobre o futuro, os entrevistados dizem se tratar de uma incógnita, embora o Caged aponte para um cenário não muito favorável. Franca terminou 2014 com 1.571 vagas de trabalho a menos e os números apontam para uma situação ainda pior neste ano (leia mais na Página 16A).
 
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários