Palhaçada com o nosso dinheiro


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O relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras, Luiz Sérgio (PT-RJ), anunciou ontem que retirou do parecer final o pedido de indiciamento de nomes sugeridos pelos sub-relatores que já foram denunciados, indiciados e condenados, ou sugestões genéricas, que falam apenas em indiciamento de “responsáveis legais”. Ele descartou a responsabilização da presidente Dilma Rousseff e dos ex-presidentes da estatal Graça Foster e José Sérgio Gabrielli, entre vários outros. A decisão, que já vinha sendo anunciada desde o início da semana, confirmou tudo aquilo que se esperava quando da instalação da comissão e a escolha do petista para a relatoria: mesmo diante das robustas provas levantadas pela investigação da Lava Jato, a CPI iria pelo mesmo caminho de outras, verdadeira comissão ‘chapa branca’ para livrar o governo e seus aliados de qualquer responsabilidade pela roubalheira da Petrobras.
 
Ao final, o deputado Luiz Sérgio (também suspeito de ter a campanha beneficiada por dinheiro desviado da estatal) não cita qualquer nome, muito menos dos responsáveis pelas empreiteiras que formavam o cartel que agiu na Petrobras. Fez o mesmo serviço que já prestara ao governo, alguns anos atrás, quando relatou a CPI dos Cartões Corporativos e ignorou completamente os ministros do governo de seu partido e insistia em cobrar os integrantes do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Luiz Sérgio é militante histórico do PT. Foi, por breve período, ministro da Secretaria de Relações Institucionais, no início do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, tendo sido desligado por absoluta incompetência política. Então, não foi qualquer surpresa o relatório que ainda pode ser substituído caso não seja aprovado pela comissão.
 
Esta é a forma em que grande parte de nossos parlamentares age. Não há genuíno interesse da maioria deles em defender os interesses daqueles que os elegeram e que, como contribuintes, pagam seus vencimentos, benefícios e mordomias. A CPI da Petrobras usou o dinheiro público para deslocamentos de parlamentares e testemunhas, além de ter gasto cerca de R$ 1 milhão só com um levantamento que não chegou a ser utilizado. A sorte é que a Justiça Federal vem agindo com correção no processo contra os que assaltaram os cofres da estatal petrolífera, já tendo condenado alguns destes agentes e encaminhado ao STF (Supremo Tribunal Federal) pedido de investigação sobre políticos com mandato, que têm foro privilegiado. Como no caso do mensalão, com certeza, os culpados serão julgados e condenados. Porque, se dependesse de Luiz Sérgio, receberiam todos um salvo-conduto para continuar roubando.
 
 
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