O presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca, Agnaldo Madaleno, resolveu falar mais uma vez. Ele, que enfrenta uma guerra com seu apoiador nas eleições e ex-diretor do sindicato, Geraldo Almeida Xavier, o “Geraldinho”, quer recomeçar. Desde o rompimento dos dois, no início de setembro, Madaleno tem contato com a ajuda da Força Sindical, que enviou funcionários e técnicos para trabalharem em Franca. Ontem, Madaleno admitiu a enorme força que Geraldinho possuía dentro do sindicato. Segundo ele, era o ex-diretor que cuidava das finanças da entidade.
Agnaldo visitou ontem a sede do GCN. Acompanhado do presidente da Força Sindical, Danilo Pereira, evitou, mais uma vez, dar detalhes de sua briga com Geraldinho. “Isso está em sigilo, sendo investigado pela polícia e pelas autoridades. Eu quero pensar no futuro.”
Madaleno disse que sua primeira determinação depois que conseguiu retomar o controle do sindicato foi a abertura de uma auditoria nas contas da entidade. “Durante esse período, o Geraldinho ficou responsável pelos recursos. Não sei dizer como tudo foi gasto, já que ele não me deixava ter o controle”, disse.
O presidente afirmou que um dos motivos que levaram ao rompimento foi justamente esse. “Ele queria comandar tudo. Chegou um ponto em que as coisas ficaram insustentáveis. Eu não podia admitir isso. Ele nem da categoria é.”
Agora, Madaleno disse que enfrenta problemas para tocar a entidade que representa a maior categoria profissional da cidade. “Não temos recursos. O custo mensal do sindicato é de R$ 60 mil, R$ 70 mil por mês. Não temos esse dinheiro.”
Disse que cortes para diminuir os gastos já foram feitos, mas não foram suficientes. “Demitimos pessoas, cortamos gastos desnecessários e estamos economizando o máximo que podemos. Mas não sei como será.”
Segundo Madaleno, o valor das contribuições sindicais, que são obrigatórias, já foi gasto. “Não temos mais nada. Tudo foi gasto. Já estamos até fazendo empréstimos para honrar os salários.” As contribuições correspondem a um dia de salário de todos os sapateiros. Neste ano, teriam sido de R$ 690 mil.
Para saber como o dinheiro foi gasto e apurar eventuais irregularidades, Madaleno deve começar agora uma auditoria fiscal e contábil. “Trouxemos para Franca nosso gestor administrativo, Francisco Juvenal. Ele e sua equipe analisaram os documentos e ao final apresentarão um relatório”, disse Danilo Pereira, da Força Sindical.
Com base nos resultados, Madaleno disse que poderão ser abertas ações de cobrança. “Vamos analisar o que foi feito com o dinheiro e, se houver irregularidades, vamos tomar as medidas cabíveis para reaver estes valores”, disse ele, tentando se eximir das responsabilidades de presidente, que já era, no período sob investigação.
Sobre a realização de novas eleições determinadas pela Justiça do Trabalho, Madaleno disse que o caso continua sendo analisado. “Não vamos parar por conta disso. Estou fazendo minha parte e quero recuperar a confiança dos trabalhadores.”
Geraldinho foi procurado para comentar as declarações de Madaleno, mas não atendeu as ligações feitas para o seu celular.
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