Ditadorzinho


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Alexandre Ferreira (PSDB) foi eleito prefeito para um mandado de quatro anos. O prazo está acabando. Mas, ele dá sinais de estar embriagado pelo poder. Age como se fosse um ditador, o dono da cidade. Quem ousa contestar o prepotente chefe, é punido ou alvo de sua falta de educação, principalmente, se for uma mulher. Foi assim com Valéria Marson (PSDB), com a servidora que denunciou ratos e baratas no PSI e com jornalistas do Comércio.
 
Agora, Alexandre elegeu um novo “inimigo” e passou a atacar o promotor Paulo Borges. Responsável por investigar denúncias que envolvem desvio de dinheiro público, ele é autor das ações em que o prefeito aparece como réu. Borges acusa Alexandre de desviar recursos para construir creches e de beneficiar curtumeiros que bancaram sua campanha eleitoral.
 
No começo deste mês, o juiz Aurélio Miguel Pena, da Vara da Fazenda Pública, acatou pedido feito por Paulo Borges e bloqueou os bens da secretária de Saúde, Rosane Moscardini, e do coordenador do Samu, Rogério Welbert Ribeiro. Rogério é acusado de simular plantões como médico contratado pela Prefeitura e de manipular as escalas de trabalho para receber horas extras indevidas e não ter faltas descontadas. Em outra ação, em Paranacity (PR), ele é acusado de falsidade ideológica por usar o registro médico de outro profissional, de exercer medicina ilegalmente e ainda de ter facilitado a fuga de um procurado pela Justiça.
 
Para Alexandre, Rogério está certo, e o promotor, errado. Para defender o amigo, que continua no cargo comissionado, o prefeito atacou Paulo Borges. “Se eu der pedalada aqui, eu vou preso. Se eu não cumprir a legislação, aqui, eu vou preso, meus bens ficam indisponíveis maldosamente. O tal do 'promotorzinho' já tentou fazer isso comigo umas três, quatro vezes”, disse ele, sexta-feira, durante evento na Secretaria de Saúde. 
 
Uma semana antes, em congresso do Comam, em Ribeirão Preto, Alexandre disse que o promotor só vai trabalhar “depois do meio dia” e que “vai pescar de terça à quinta, além de ainda coordenar cursos de Direito. “E, ele vem querer falar que o médico não pode trabalhar mais do que 12 horas, que médico não pode fazer plantão de 24 horas?”.
 
Repúdio I: Paulo Borges repudiou os seguidos ataques pessoais realizados pelo prefeito. Afirmou que não comentaria a expressão 'promotorzinho'. “Por representar, aquela atitude da autoridade municipal, ato de deselegância no trato institucional, na falta de argumento para sustentar o indefensável e em fórum inadequado”. 
 
Repúdio iI: Afirmou que o horário de atendimento ao público, das 13 às 17 horas, não se confunde com o horário de trabalho do Promotor de Justiça que, por lei, tem regime de trabalho próprio, o que também é do conhecimento das autoridades públicas “bem esclarecidas”. Disse ser comum trabalho antes e depois daquele horário, inclusive, fora da sede do Ministério Público, no Fórum e em sua residência, até em finais de semana e feriados. Reafirmou o compromisso de seguir combatendo as violações ao patrimônio público, doa a quem doer. “QUEM COMETER IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA SERÁ PROCESSADO E NÃO FICARÁ IMPUNE”, destacou, assim mesmo em caixa alta.
 
Calote: Um vereador da base governista, com livre trânsito no gabinete e protegido do prefeito, está sendo executado judicialmente pela Prefeitura por não pagar IPTU. A Justiça autorizou que, se não houver pagamento, seja feita a penhora de bens. Também foi autorizado, caso necessário, o arrombamento do imóvel com acompanhamento da Polícia Militar. 
 
 
Edson Arantes
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br

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