Uma questão de solidariedade


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A solidariedade do brasileiro já é bastante conhecida. A cada campanha de ajuda, todos se unem para auxiliar e permitir que semelhantes como o pequeno Davi Miguel, que aguarda cirurgia em Miami, nos Estados Unidos, levem uma vida normal. Agora, os francanos se unem em torno de uma campanha de doação de sangue para permitir que a garotinha Maria Eduarda, a Duda, de apenas 11 anos, que luta contra uma leucemia linfoide aguda, receba transfusões de plaquetas periódicas que lhe permitam sobreviver. Caso não receba, ela pode sofrer um acidente vascular cerebral passível de causar a sua morte. Este é um exemplo entre muitos, mas que não precisariam ser replicados caso as doações — não apenas de sangue mas também de órgãos, como coração, fígado, rins e córneas, entre outros — fizessem parte do cotidiano daqueles que desfrutam de boa saúde e podem fazer o bem, auxiliando aqueles que precisam.
 
É necessário que o ato de doar (em vida ou após a morte) se torne uma prática corriqueira. No caso do sangue, a doação (desde que não fira preceitos religiosos) é até benéfica não apenas para os que o recebem. Só a satisfação pessoal de se fazer o bem já é paga suficiente. Como o sangue é renovado, não se pode temer por sua perda. Há muitos que dependem de uma transfusão, não apenas doentes crônicos como a pequena Duda, mas também acidentados que perdem sangue e o organismo não consegue repor em pouco tempo. A maioria das cirurgias invasivas também necessita do sangue e de seus derivados como plasma ou plaquetas. Houve tempo em que hospitais faziam campanhas em empresas para conseguir doadores, em casos pontuais. Hoje, é muito mais fácil, ainda mais depois que os hemocentros passaram a testar todos os doadores, para eliminar quem tenha doenças transmissíveis, o que ainda concorre para permitir o seu tratamento.
 
Já se falou bastante que doar é um ato de amor. Mais do que isso, é um ato de desprendimento, de benemerência, de respeito ao próximo. Nada mais salutar do que permitir que a vida seja preservada e a sanidade restaurada. Doar em vida ou autorizar a retirada dos órgãos após a morte deveria ser natural, sem a necessidade de campanhas ou apelos que bancos de sangue e de órgãos fazem periodicamente. Se isso acontecer, certamente milhares de brasileirinhos como a garotinha Duda e outros, não tão pequenos, irão agradecer. Basta que abandonemos o egoísmo e passemos a exercitar diariamente a solidariedade e o espírito de bondade que deveriam ser inerentes a todos nós.
 
 
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