Mais de 40 pessoas aguardavam atendimento na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Aeroporto na tarde de ontem. Sem médico por mais de cinco horas, de acordo com informações dos próprios pacientes que esperavam o profissional chegar, muitos acabaram desistindo do atendimento e voltando para casa. Em alguns casos, pacientes esperavam desde as 11h30. Sem profissional, os pacientes eram orientados a voltar a partir das 17 horas.
Com muitas dores depois de uma queda, a aposentada Ivone Carneiro da Silva, 70, estava inconformada após esperar mais de três horas por atendimento e ser informada de que o médico chegaria apenas às 19 horas.
“Estou com muita dor na mão e no rosto. Me disseram que o médico só deve chegar mais tarde e não estou aguentando esperar. Acho tudo isso um absurdo”, disse.
Revoltado, o marido da aposentada, Nelson Soares da Silva, 70, estava inconformado com a demora. “A saúde nessa cidade está precária, é revoltante termos que esperar horas por um atendimento e não ter médico em uma unidade que é de pronto atendimento.”
Sentindo pontadas no peito e falta de ar, Soliane Aparecida dos Santos, moradora do bairro Jardim Progresso, esperou mais de três horas para ser atendida. “Eu cheguei mais cedo, mas fui informada que não tinha médico e deveria voltar somente às 17 horas, quando as fichas de atendimentos seriam realizadas”, disse.
O aposentado Harlei Pereira Batista, 60, esteve três vezes na UPA antes de conseguir ser atendido. “Cheguei aqui às 12 horas, mas me mandaram voltar às 16 horas, só que ainda não tinha médico. Consegui passar pelo profissional agora (18h30), mais de 6 horas desde a primeira vez que vim”, disse.
Também com falta de ar, a aposentada Maria Antônia Costa, 89, esperava mais de duas horas e ainda não sabia quando seria atendida. “Estou com bastante falta de ar e nem sei quando vou passar pelo médico.”
Aguardando atendimento para o filho de 14 anos desde as 15 horas, a dona de casa Lúcia Helena Silva, 43, estava inconformada com a demora. “Estamos esperando há mais de três horas e o médico deveria chegar apenas às 19 horas. Assim que a reportagem chegou, apareceu um médico, que antes estava atendendo na UBS”, disse.
Meia hora após a chegada da reportagem do Comércio no local, que confirmou que nenhum médico atendia na UPA e deveria chegar apenas às 19 horas, um profissional, que segundo os pacientes estaria atendendo anteriormente na UBS (Unidade Básica de Saúde) do Aeroporto, passou a atender na unidade.
Sem hora extra
No início deste mês, o Comércio revelou que os médicos escalados para os plantões da UPA estavam sendo impedidos de trabalhar pela coordenadora de Urgência e Emergência, Rosemeire Vilela.
Na época, a secretária de Saúde, Rosane Moscardini, justificou o impedimento devido ao excesso de horas extras realizados pelos profissionais. Segundo ela, se os médicos continuassem a trabalhar ficariam sem receber, já que o teto de R$ 15 mil, autorizado para pagamento, já havia sido atingido por eles.
Outro lado
No início da noite de ontem, a reportagem tentou entrar em contato com a secretária de Saúde, Rosane Moscardini, para saber o motivo da UPA ficar por mais de cinco horas sem médico, mas ela não atendeu às ligações realizadas para o seu celular.
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