Se a sessão de ontem da Câmara Municipal não tivesse sido realizada, certamente, ninguém sentiria falta. Num dia em que o ponto alto foi uma acirrada disputa de vaidades, os vereadores aprovaram apenas dois projetos e ambos referentes a homenagens. Uma delas, para o vereador Bahia (PTB), que ganhou o titulo de cidadão francano dos colegas. A outra “produção” do dia foi a denominação de uma rua. E só. Pauta com relevância, como a votação do orçamento impositivo, foi adiada por 20 sessões e ficou para o ano que vem, o que livrará o atual prefeito de cumprir a eventual lei.
A sessão, no entanto, serviu como um termômetro para medir o nível da vaidade dos vereadores e mostrar qual é a prioridade deles. Por quase duas horas, os políticos travaram uma inócua e vergonhosa discussão por causa de projeto simples que institui em Franca o programa municipal de “detecção precoce do câncer de mama e do ovário”.
A proposta foi apresentada por Pastor Otávio (PTB). Mas, no ano passado, Valéria Marson e Adérmis Marini, ambos do PSDB, já haviam aprovado projeto semelhante.
A situação, que poderia ter sido resolvida com um simples diálogo dentro dos gabinetes, se transformou numa vergonhosa lavagem de roupa suja em público entre os vereadores, que foi transmitida ao vivo pela internet e TV Câmara.
“O senhor está chovendo no molhado, copiando uma lei que já existe, é preciso respeitar os colegas”, disse Adérmis. Embora tenha dito que estava “constrangido” com a situação, ele alimentou a polêmica na tribuna e chegou a bater boca com Laercinho (PP), que tentava palpitar. “O Adérmis quer a todo custo pisar na cabeça do pastor. Para que ficar brigando e levar pau de graça?”, questionou. “Exijo que me respeite, Laercinho”, retrucou Adérmis.
Pastor Otávio alegou que havia feito uma pesquisa no site da Câmara e que não encontrou a lei. “Você não precisa ficar constrangido, Adérmis. Se eu identificar a lei, não terei dificuldade em retirar o projeto. O Pastor é de paz, não brigamos. Quando querem brigar comigo, acabam brigando sozinhos”.
Apesar do tom pacificador, o Pastor não cumpriu a palavra e insistiu com a votação de sua proposta, mesmo ao ver que, de fato, já havia uma lei anterior. O projeto foi rejeitado. O Pastor teve apenas o próprio voto e o de seu companheiro de partido, Josivaldo Bahia.
Enquanto os vereadores ainda brigavam, duas diretoras do grupo de voluntários do Hospital do Câncer, que foram à Câmara acompanhar a votação do projeto, cansaram do “espetáculo”, se levantaram das cadeiras, viraram as costas e foram embora deixando os políticos falando sozinhos.
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