O brasileiro, hoje, vive uma das piores crises econômicas da nossa história recente. A cada semana, os índices presentes e futuros apontam para uma retração longa e as perspectivas de recuperação lentas colocam todos, empresários e trabalhadores, em compasso de espera, sem saber se há possibilidades reais de manutenção da produção e do emprego. Quem trabalha e produz neste País, nos últimos tempos, tem sofrido com a retração do crédito, aumento do desemprego, o câmbio em alta e a inflação perigosamente perto dos dois dígitos. A expectativa do mercado e dos investidores internacionais é pessimista, já que não há uma perspectiva de melhora no cenário em curto prazo. Analistas acham que talvez em 2017 a atividade econômica volte a crescer. Mas não há nada que garanta isso.
O que mais preocupa é a crise política que atravanca qualquer tentativa de resolver a questão. Inicialmente, o governo tentou esconder a deterioração econômica do País. As medidas anunciadas no começo do ano devem começar a produzir efeitos apenas em 2016. O Planalto demorou muito para atacar a crise e a situação chegou a este ponto: todos nós teremos que pagar pelo descontrole e pela inexistência de uma política econômica clara, onde o setor produtivo teria que ser preservado. Agora, não há muito que fazer. Como o governo e o Congresso não se sensibilizam com a situação de empresários e trabalhadores, os que mais vêm sofrendo com essa recessão, vamos ter que engolir os remédios amargos que virão. Tanto a presidente Dilma Rousseff (PT) quanto o ministro Joaquim Levy (Fazenda) garantem que a ‘virada’ só acontecerá com a aprovação da contribuição sobre as movimentações financeiras (o imposto do cheque). Ninguém busca cortar as chamadas despesas correntes, aquelas que cobrem salários, benefícios e mordomias nos
Três Poderes, bancados com o dinheiro do contribuinte.
Nunca se viu uma situação tão grave como agora. Setores que enfrentavam com maior tranquilidade os períodos de turbulência econômica, como o varejo e alimentação (aí se incluindo os supermercados), hoje veem a frequência cair. Muitos fecham as portas, outros reduzem o número de funcionários e lojas e há quem ainda corte a margem de lucro para não parar de vez. Hoje, empresas e trabalhadores estão fechando acordos de redução de jornada e de salários, passando ao largo de um plano criado pelo Planalto meses atrás. A principal preocupação, hoje, é a manutenção do emprego, mesmo com vencimentos menores. “Antes pingar do que secar”, como se dizia antigamente. E assim vamos vivendo, preocupados, sem que tenhamos uma garantia de que sairemos desta crise tão cedo.
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