Quero ser seduzido


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Tarde de fim de setembro, melancólica.
O sol pálido se põe de novo.
Menos um dia.
Mais um longo dia morre.

Vem a noite, calma,
acendendo estrelas
e acordando grilos.
Brisa levemente fria.

A noite cresce rápido
como crescem os seios de uma ninfeta.
Porém já não me surpreende.

Lúcido, penso nos casais,
milhares deles
fazem amor neste momento,
enquanto só, escrevo solidão.

Quero uma esposa,
uma amante,
uma amiga.

Ser seduzido eu quero.
Mil e uma fantasias.
Seios quadris pernas.
Coito correndo solto.

Depois, o cansaço justo;
o sereno cansaço dos felizes.
E a certeza – serena também –
de o novo sol nos encontrar juntinhos.

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