Sequelas físicas e trauma psicológico, uma rotina transformada após um acidente. Com o pé esquerdo quebrado, dores pelo corpo e ferimentos nos braços e na coluna, a enfermeira Cleide Marina de Carvalho Martinez, 54, ainda se recupera de um acidente de trânsito ocorrido no começo deste mês.
Ela e a filha estavam em uma moto, quando colidiram com outra motocicleta na avenida Santos Dumont. As duas sofreram escoriações e traumas na coluna. “Só me lembro das dores fortes e de querer saber como estava minha filha. Além de ter que ficar imobilizada em casa, o trauma psicológico fica para sempre”, disse a enfermeira.
Essa é a realidade enfrentada por muitas vítimas de acidentes de trânsito, que entram para as estatísticas de lesões ocorridas em Franca. A ocorrência envolvendo Cleide e sua filha engrossará os números já registrados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.
De janeiro a agosto deste ano, o órgão contabilizou 1.179 lesões corporais culposas, aquelas em que não existe intenção de matar, no trânsito. No ano passado, foram confirmadas 964 no mesmo período, o que representa um aumento de 22,3%.
Os pedestres também são vítimas comuns desse tipo de acidente. Outro caso recente envolveu um menino de 12 anos que foi atropelado por um veículo, após sair da escola, na avenida Eliza Verzola Gosuen. A criança teria entrado na frente de um carro que seguia pela via e não conseguiu frear a tempo, o menino foi atingido e sofreu uma fratura na perna direita.
Para o secretário municipal de Segurança e Cidadania, Sérgio Buranelli, o aumento da frota na cidade - que hoje é em média de 240 mil veículos - e questões comportamentais contribuem para elevar essas estatísticas. “Os motoristas andam em alta velocidade e para não atrasar cinco minutos correm o risco de perder suas vidas”, disse o secretário. Para ele, também falta atenção dos motoristas, que acabam cometendo infrações ou adotando posturas que aumentam o risco de batidas, como não manter uma distância segura entre veículos. “A secretaria tem feito um trabalho constante de educação no trânsito, com campanhas de orientação, com outdoors pela cidade”, afirmou Buranelli.
A Polícia Militar também trabalha no sentido de reduzir esses índices, principalmente com o objetivo de diminuir os casos de acidentes de trânsito com mortes. A PM, por meio da assessoria de imprensa, informou que até agosto desse ano registrou 23 mortes no trânsito, no mesmo período do ano passado foram 32.
Para melhorar a segurança nas vias, a Polícia Militar tem mapeado aquelas que registram acidentes graves e intensificado o policiamento e a fiscalização nesses pontos. Também tem investido em campanhas de conscientização e educação no trânsito, como a Semana Nacional de Trânsito, feita em setembro, que discutiu o tema “Seja você a mudança no trânsito”, em parceria com o Detran-SP.
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