Você, certamente, já ouviu a expressão que dá título a este texto já que designa situações comuns de pais ausentes perturbadores da harmonia familiar, inobstante de corpo presente. As tarefas que acodem, nem sempre profissionais, cegam-nos em relação aos compromissos de afeto e educação, preterindo os filhos ante o império do celular e de atividades outras, que justificam com o argumento de que devem atenção aos amigos, aos clientes, ou ao descanso. Amar e educar ficam para quando?
Segundo disse a psicóloga e educadora Rosely Sayão, em sua coluna na Folha de S. Paulo, de 15 de setembro último, há um novo tipo de ‘orfandade’, qual o que decorre do uso incontrolável do celular.
Informa que, em pesquisa recente, constatou-se que, no mundo, 54% dos pais ignoram a presença dos filhos, preferindo o telefone móvel. Este índice sobe para 87%, quando a pesquisa se refere ao Brasil.
Denota que, tanto aqui como lá, filhos, entrevistados, se dizem abandonados pelos pais, ainda que fisicamente juntos, no mesmo ambiente.
É evidente que a vida atual exige mais trabalho. A jornada não termina com o fim do expediente na empresa. Continua, no lar, noite adentro, tanto para homens, quanto para mulheres que não podem pagar um serviçal.
Psicólogos e educadores dizem, porém, que o importante não é a extensão do tempo que oferecemos aos filhos, mas como é preenchido.
É preciso que, para eles, sejamos, moral e afetivamente, presentes, antes que a televisão, companhias duvidosas, ou o mundo das drogas nos tomem o lugar.
É oportuno registrar: dia desses, o amigo Waldir Paludetto enviou-me e-mail informando que um pai, advogado de uma falange criminosa, sentiu-se envergonhado do patrocínio jurídico que exercia e, não desejando mais dar mau exemplo ao filho, decidiu denunciá-la às autoridades, apesar de saber que tal atitude podia significar sentença de sua própria morte.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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