Ex-presidente quer continuar mandando


| Tempo de leitura: 2 min
Depois de enfiar goela abaixo da presidente Dilma Rousseff (PT) uma reforma ministerial pífia e que ainda não produziu qualquer resultado prático para acabar com a crise política que atravancou de vez o governo federal, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu as articulações para manter o mandato e o cargo do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Nos últimos dias, Lula tem se reunido com líderes da base aliada e vem dando as cartas no governo, negociando cargos nos segundo e terceiro escalões no sentido de evitar que a Câmara julgue e destitua Cunha, por causa das contas encontradas na Suíça e que foram irrigadas com dinheiro de propinas. Ao mesmo tempo, o ex-presidente tenta garantir Dilma no posto, já que cabe ao presidente da Câmara definir a abertura de um processo de impeachment.
 
Lula parece não se importar com a sua própria situação. As investigações da Lava Jato já encontraram sérios indícios de que ele realizou lobby para empreiteiras implicadas no Petrolão, entre elas a Odebrecht e a OAS, em diversos países da África e América Latina. Nem o seu depoimento “espontâneo” à Polícia Federal foi capaz de afastar as suspeitas de que o ex-presidente valeu-se de sua influência no Planalto para conseguir financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) a empresas que criaram um esquema fraudulento na Petrobras. Também não convenceu quando a referência são as vultosas quantias que recebeu a título de pagamento de palestras. Ele disse que todos os ex-presidentes fazem isso, o que as investigações da Justiça e da Polícia Federal não comprovam. Só Lula e seus aliados, como os ex-ministros José Dirceu (hoje preso no Paraná) e Antonio Palocci, conseguiram amealhar fortunas a título de palestras e consultorias.
 
Agora, sentindo-se o “rei da cocada” e imaginando-se acima do bem, do mal e da justiça, pede a cabeça do ministro Joaquim Levy (Fazenda), hoje empreendendo uma verdadeira cruzada para fazer valer o remédio amargo dos ajustes fiscais, atingindo o setor produtivo, na tentativa de reverter os danos causados na política econômica do País, na última década, por aliados de Lula. O ex-chefe da Nação precisa, hoje, se preocupar mais com a implicação pessoal (que chega a membros de sua família e parentes próximos) que a Lava Jato tem levantado. Ao tentar livrar Dilma e Cunha, demonstra claramente não compactuar com as leis, a responsabilidade e a retidão que se exige de qualquer gestor público. Como já dissemos, Lula corre o sério risco de apagar de sua biografia qualquer avanço que conseguiu quando presidente, caso continue agindo a favor de atos ilegais, malfeitos e desvios que o Brasil não tolera.
 
 
email opiniao@comerciodafranca.com.br
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários