Ainda falta cortar (mesmo) na carne


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A crise econômica do País pode penalizar ainda mais a classe produtiva com a criação de impostos ou taxas que injetem mais dinheiro nos cofres públicos para cobrir os rombos causados por uma administração totalmente sem rumo como a de Dilma Rousseff (PT). O Planalto precisa, antes de tudo, fazer um ajuste na máquina administrativa, onde, já é sabido, há mais de cem mil funcionários comissionados (contratados sem concurso), que ganham muito mais do que servidores de carreira. Cortar mil cargos é o mesmo que retirar uma gota de um oceano: não faz diferença diante do déficit que supera os R$ 40 bilhões anualmente. Nem o corte de ministérios e a fusão de outras pastas, já que houve a manutenção de toda estrutura. O governo precisa de pelo menos R$ 50 bilhões adicionais para cumprir a meta de superávit primário e não dá mostras de que procura outras saídas que não sejam exigir mais ainda daqueles que trabalham e produzem.
 
O ministro Joaquim Levy (Fazenda) já deixou claro não existir qualquer outro plano para a regularização das contas do Tesouro que não a volta do imposto do cheque (a famigerada CPMF). Tentou cooptar governadores oferecendo parte — pequena, é claro — do arrecadado com a taxa para os Estados. O ministro da Saúde Marcelo Castro, empossado há menos de uma semana, já avoca para a sua pasta também uma parte do bolo, sugerindo uma cobrança dupla da CPMF. Até agora, as reações no Congresso Nacional, que precisa aprovar o retorno da contribuição, têm sido negativas. Por isso, anteontem, o ministro Levy fez uma ameaça séria, dizendo que se o imposto não voltar uma série de benefícios trabalhistas vão ser atingidos. 
 
Melhor seria se argumentasse a favor de cortes de benefícios que comissionados e parlamentares brasileiros têm e não encontram paralelo em qualquer outra nação democrática do mundo. Salários astronômicos, verbas para a contratação de assessores, auxílio moradia são apenas alguns deles. Deputados e senadores brasileiros ainda têm verbas para o envio de cartas, contas telefônicas pagas, plano de saúde ilimitado — inclusive com tratamento no Exterior — e carros oficiais, tudo pago com o dinheiro dos cofres públicos que são abastecidos com o dinheiro do contribuinte. Nenhum destes benefícios é extensivo ao trabalhador comum que produz e paga seus impostos. É preciso que a classe política repense a sua atuação e as suas mordomias que já começam a aborrecer o eleitor brasileiro. Este pode ter uma reação que não surpreenderá: negar seu voto para um novo mandato a estes representantes que aí estão, que pedem sacrifícios mas não aceitam mexer nos seus benefícios.
 
 
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