Morreu Chacha, a voz da história francana, aos 70 anos


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Chiachiri Filho será sepultado hoje, 16 horas, no Cemitério da Saudade
Chiachiri Filho será sepultado hoje, 16 horas, no Cemitério da Saudade
Morreu ontem, por volta de 22 horas, em sua casa, o historiador, bacharel em Direito, docente, contista e, sobretudo, arquivo vivo da história francana, José Chiachiri Filho, o Chacha. Segundo Jorge, seu filho, ele ‘teve, certamente, um infarto fulminante’. Foi socorrido imediatamente e levado ao Hospital Regional, onde ocorreram tentativas de ressuscitação sem sucesso. 
 
Era filho do também historiador e fundador do Museu Histórico de Franca, José Chiachiri e Carmelita de Andrade Chiachiri. Deixou viúva, a professora Maria Ângela de Freitas Chiachiri — a conhecida Susy — depois de 42 anos de casamento. Do enlace, três filhos (Chiachiri Neto, Sara, casada com João Doim; Jorge) e uma neta, Amanda.
 
Formou-se em Direito pela Faculdade Municipal de Franca e, em História, pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do campus francano. Na Unesp, foi catedrático de Metodologia Histórica. Aposentou-se lá. 
 
Exercitou a política. Participou da fundação do chamado Grupo Novo e foi vice-prefeito de Franca, na gestão do prefeito Maurício Sandoval Ribeiro. Pelo Partido Verde, candidatou-se a deputado federal e a vereador.
 
Em 1977, Chiachiri foi diagnosticado com descolamento de retina que significou a perda completa da visão. Era vice-prefeito. Submeteu-se a cirurgia mas o resultado foi nulo. Sua vida se modificou completamente. De perfil vivo, participativo e independente, teve que se adaptar e reaprender tudo. O filho Jorge, falando sobre a época, disse que o pai, apesar da tristeza da cegueira, ‘não perdeu o bom humor e o sarcasmo, marcas de sua personalidade’. A cegueira, no entanto, fez com que Chiachiri estimulasse, ainda mais, outra virtude sua, a incomparável memória. 
 
Acompanhado por softwares especialistas e sintetizadores de voz, jamais deixou de ler e, sobretudo, de escrever. Tornou-se membro do Instituto Histórico e Geográfico e participou da consolidação do caderno ‘Nossas Letras’, criado pela editora deste Comércio, Sônia Machiavelli. Sua produção literária o fez merecer convite para ocupar uma das cadeiras da Sociedade Francana de Letras. Seus textos semanais, contando casos, enaltecendo histórias de vida ou praticando contundentes análises políticas, tornaram-se aguardados com expectativa. Formou incontáveis leitores fieis. Escreveu e editou dois livros, Do Sertão do Rio Pardo à Vila Franca do Imperador (1986, pela Ribeirão Gráfica e Editora) e Entrantes no sertão do Rio Pardo (1991, pela Editora Ceru). Estes trabalhos são bibliografia obrigatória quando se fala sobre a história da cidade.
 
Neste ano em que o Comércio da Franca completou seu centenário de fundação e circulação interrupta, Chiachiri preparou conjunto de artigos e os publicou no caderno ‘Nossas Letras’, contando a história do jornal. Também tornou o resultado de suas pesquisas históricas, palestra. Uma dessas aconteceu em reunião festiva da Academia Francana de Letras, assistida por jornalistas e convidados especiais. 
 
Chiachiri perdeu a visão, mas não sua alegria de viver. Era possível encontrá-lo nos principais eventos da cidade, sempre acompanhado por amigos inseparáveis e muita gente em volta se divertindo com seu sarcasmo e, sobretudo, se surpreendendo com sua memória. ‘Meu pai era bom de prosa, agregador, de um grande senso de humor. Adorava a boa comida e seu inseparável cigarro de palha. Sentia-se bem dentre letrados e humildes. Fosse lá onde fosse, era fácil saber se Chiachiri Filho lá estava. Era só apurar os ouvidos e selecionar a mais gostosa das garga-lhadas. Era ele’.
 
Seu velório está acontecendo no São Vicente de Paulo, sala 1. O sepultamento ocorrerá às 16 horas de hoje, no Cemitério da Saudade, com serviços da Funerária Nova Franca. O Comércio da Franca está em luto pela perda de um de seus mais queridos e respeitados colunistas. A voz da história francana se calou.

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