Cunha só pensa em livrar a própria pele


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A situação mudou a partir do momento em que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tornou-se alvo de investigação, por causa dos indícios (que hoje já podem ser considerados evidências) de que mantinha contas secretas em bancos suíços,irrigadas por dinheiro desviado de obras públicas no Brasil. Ao contrário do que fazia quando surgiram as primeiras denúncias, negando qualquer envolvimento, Cunha hoje se abstém de falar a respeito, mesmo diante do bombardeio de críticas que recebe até de antigos aliados do PT e do seu próprio partido. O parlamentar já enfrenta um pedido de processo de afastamento do seu posto por quebra de decoro parlamentar, que pode tirar até o seu mandato. Negociador hábil, o presidente da Câmara demonstrou várias vezes que sabe muito bem sair de situações adversas — elegeu-se para comandar a Casa superando as divergências pessoais com o PT governista e até colegas de PMDB.
 
Agora, o parlamentar fluminense começa a articular para salvar a sua pele, mesmo que contribua para tirar Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva do foco da operação Lava Jato. Por causa disso, a CPI da Petrobras que se desenvolve no Congresso já começa a perder fôlego e não será nenhuma surpresa caso termine em mais uma indigesta pizza, que a maioria dos seus integrantes pretende enfiar goela abaixo da população brasileira. Os desvios na Petrobras, caso tivessem acontecido em um país sério e com leis onde a classe política não é tratada como casta privilegiada, já teriam colocado muita gente na cadeia, principalmente deputados e senadores que se beneficiaram do esquema fraudulento alimentado por empreiteiras. 
 
As articulações entre Cunha e o Planalto podem, inclusive, prejudicar as investigações da Lava Jato, que até aqui têm sido conduzidas de forma exemplar pelo juiz federal Sérgio Moro. A crise institucional entre o governo e o Congresso pode desaparecer de um dia para o outro em razão de mais um acordo espúrio que se traça nos porões do poder. Cunha quer livrar a sua pele e manter o seu mandato, da mesma forma que Dilma Rousseff e grande parte dos petistas. Assim, se tudo acontecer da forma como está sendo desenhado, mais uma vez estaremos abandonados à nossa própria sorte. Ao contrário do que todo o País espera, verdadeiros bandidos que assaltaram a Petrobras, a Eletrobrás e outros órgãos do governo na última década, podem se livrar de punição. Caso isso aconteça será mais um passo atrás de um País que tem potencial para assumir o protagonismo mundial, mas ainda se perde por causa de sua classe política e representantes eleitos.
 
 
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