Foi caminhando de mãos dadas com os pais, Dinea e Jesimar Gama (vídeo disponível no Portal GCN - www.gcn.net.br), que o pequeno Davi Miguel deixou, na noite da última terça-feira, o quarto do hospital Jackson Memorial rumo ao apartamento em que mora a família em Miami (EUA). O momento de ver o filho de volta ao lar era aguardado desde 17 de março de 2014, quando, aos cinco dias de vida, Davi foi internado no Hospital Regional de Franca, passando a viver em quartos hospitalares. “Havíamos perdido a emoção de ter nosso filho em casa, mas Deus nos concedeu essa graça e o Davi teve alta. Estamos muito felizes e passamos a primeira noite bem, sem intercorrências”, disse Dinea.
Embora a chegada tenha sido de emoções e felicidade, Jesimar conta que o tempo vivendo em hospitais trouxe ao pequeno Davi um estranhamento com o mundo exterior. “Ele foi acostumado em hospitais, então ficou assustado no início (ao chegar em casa). Mas logo ele vai se acostumar. É um menino que se recupera bem dos desafios”, disse o pai.
A nova realidade é também um desafio aos pais. Acostumados ao auxílio profissional dos hospitais, eles agora se veem responsáveis diretos por grande parte dos cuidados destinados a Davi, como a alimentação parenteral e medicação diária. “Uma vez por semana, também temos que levar o Davi até o hospital para fazer exames e ser acompanhado pelos médicos”, disse Jesimar. “Mas a luta continua. Se Deus quiser, logo, logo, eles chamarão (o Davi) para o transplante e tudo vai dando certo. Ficamos com o celular ligado 24 horas por dia, esperando essa ligação - que pode vir de madrugada, agora, daqui um mês, a qualquer momento.”
Fora a expectativa de um iminente transplante, a família espera aproveitar prazeres comuns à maioria das pessoas mas que, para eles, se concretizarão a partir de agora. “Pude dar banho no meu filho em casa, trocá-lo e vê-lo procurando pelo irmão logo pela manhã. Vamos ficar mais reservados neste momento, mas tem um parque aqui em frente (ao apartamento) que nós queremos levá-lo”, disse Dinea. “Espero agora que Nossa Senhora interceda por ele e que nós tenhamos bastante sabedoria para lidar com este novo momento. Vamos poder almoçar juntos aos domingos, passear aos sábados e, se Deus quiser, passar algum fim de semana no Brasil (até que seja convocado para o transplante).”
O caso
Davi Miguel Gama nasceu em Franca em 12 de março de 2014 e, ao chegar em casa, passou a perder peso rapidamente, sendo internado no Hospital Regional cinco dias após ter nascido. Filho dos sapateiros Jesimar e Dinea Gama, o pequeno foi diagnosticado - em junho daquele ano, no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto - com uma doença rara no intestino, que impede o alimento de ser processado por seu organismo.
A partir de então, a família iniciou uma campanha em prol do único recurso capaz de salvar a vida de Davi: um transplante de intestino.
O procedimento teria maiores chances de sucesso se realizado no Jackson Memorial, hospital localizado em Miami (EUA) a um custo milionário.
A família então entrou com uma ação na Justiça para garantir o direito do filho e, em 28 de julho deste ano, mãe e filho embarcaram para o exterior. O restante da família seguiu dias depois, com recursos advindos da grande mobilização de campanhas e doações apoiadas pela população francana.
O dinheiro está sob custódia da Justiça e é liberado conforme as necessidades de manutenção dos Gama fora do país.
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