A indústria brasileira tem participado cada vez menos na composição do PIB, um sinal inequívoco de perda de importância relativa no conjunto da produção. Enquanto as atividades agropecuárias e dos serviços registram crescimento, a indústria de transformação tem mostrado queda sistemática. Desde 2003, o setor vem perdendo terreno no PIB: de 27,8% naquele ano, sua participação caiu para 24,9%, em 2013. Presentemente, está em torno de 10%. O país enfrenta profundo processo de desindustrialização, de perda de capacidade no setor de transformação industrial. É necessária e urgente buscar medidas para sua revitalização.
Os problemas que a indústria brasileira enfrenta estão relacionados com carências na infra-estrutura, questões relacionadas à carga tributária, burocracia, capacitação profissional, taxas de juros, encargos trabalhistas e disponibilidade de créditos. Até recentemente lutava também contra problemas de natureza cambial.
O grande drama que a situação da indústria de transformação traz para o país ou, antes, para a economia e sociedade brasileiras, é o desemprego. Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) indicam que até o final do ano teremos uma população sem emprego da ordem de um milhão de trabalhadores.
Se somarmos a este contingente o número de jovens que ingressa no mercado de trabalho anualmente, — em torno de 800 mil pessoas — e que certamente, não terão oportunidade de conseguir colocação, teremos um exército de quase dois milhões de desempregados.
Essa população representa enorme volume de renda que não se concretiza, que não se transforma em demanda; que só acarreta problemas pessoais e familiares.
A adoção de um conjunto de medidas para a superação dos entraves e resgate da importância do setor industrial de transformação, um verdadeiro projeto inovador, será estratégico para a economia brasileira, para o emprego e para o desenvolvimento do país.
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA/USP
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