A ilegalidade é indefensável


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Depois de inspirar a pífia reforma ministerial e da máquina administrativa promovida pela presidente Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou sua cruzada para defender o mandato da pupila. Como se viu, Dilma conseguiu transformar o seu segundo mandato em algo pior do que o primeiro, onde prevaleceram a “contabilidade criativa” e “as pedaladas fiscais”, responsáveis pela maquiagem dos números da economia brasileira, levando o Planalto a manter-se completamente fora da legalidade: extrapolou os limites da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal), um dos mais importantes instrumentos de nossa história recente, para evitar que os administradores públicos gastem mais do que arrecadam ou desviem verbas de áreas importantes para cobrirem rombos.
 
Pois não é que ontem Lula fez uma veemente defesa das “pedaladas fiscais” — manobras que se tornaram prática corrente no ano passado, quando o governo atrasava o repasse de fundos a bancos oficiais para o pagamento de programas sociais —, consideradas ilegais pelo TCU (Tribunal de Contas da União), decisão que pode deflagrar o processo de impeachment de Dilma? Ao discursar em um evento dirigido a agricultores, o ex-presidente disse que as “pedaladas fiscais” nas contas públicas em 2014 foram para garantir a continuidade de programas sociais. Mais uma vez, o ex-presidente que se vê cada vez mais implicado nos desvios que a Operação Lava Jato descobriu na Petrobras e em outros órgãos do governo, mostra-se totalmente fora da realidade. Nada justifica um ato ilegal. Seria o mesmo que defender o tráfico de drogas caso os seus chefes distribuíssem o lucro por sua comunidade.
 
O que Lula parece não entender é que mesmo o presidente da República tem que se manter dentro da lei. O chefe da Nação não é intocável: deve estar acima de suspeitas e ser o primeiro a defender a legalidade por princípio. Querer associar o processo de impeachment a um golpe é uma estratégia que só engana aqueles que consideram o PT e seus integrantes acima do bem e do mal. Não é assim que a roda gira. Dilma errou — e muito — na condução da política econômica e falhou ainda em buscar uma sólida base aliada. Aferrou-se na política do troca-troca, do ‘é dando que se recebe’ e arrasta o Brasil para um poço sem fim que já nos alijou do protagonismo global com o risco de perdermos o bonde da história. Nosso setor produtivo se ressente da crise, reduz suas atividades e amplia o desemprego, sem que haja uma medida eficaz para retomar o crescimento. Assim como Dilma, Lula deveria rever a sua estratégia antes que enterre na vala do esquecimento os benefícios que proporcionou a milhões de brasileiros.
 
 
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