Servidor que denunciou viaturas quebradas é transferido do Samu


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Ambulâncias do Samu e uma da Prefeitura, no pátio da unidade na última quinta-feira: três quebraram na semana passada
Ambulâncias do Samu e uma da Prefeitura, no pátio da unidade na última quinta-feira: três quebraram na semana passada
Um dos socorristas do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) que denunciaram o descaso com a manutenção das ambulâncias do serviço foi punido, nesse último fim de semana. 
 
O servidor municipal, que pediu para não ter o nome divulgado com medo de novas punições, disse que estava em casa na manhã de sábado, quando um motorista do município tocou a campainha e lhe entregou um papel timbrado com o logotipo da Prefeitura de Franca, informando que a partir daquele momento ele não mais trabalharia no Samu. Estava sendo transferido para o Pronto-socorro Municipal “Álvaro Azzuz”. 
 
A transferência sem aviso prévio veio dois dias depois de a imprensa noticiar os problemas com as ambulâncias do Samu. Na quarta-feira, três delas quebraram enquanto faziam atendimentos. Em um dos casos, o paciente precisou ser transferido de um veículo para outro em plena rua. 
 
O funcionário público disse que foi pego de surpresa. “Levei um susto e fiquei sem entender. O papel não explicava nada. Só me mandava para o PS.” O problema, segundo ele, é que não existe vaga de socorristas no atendimento do Pronto-socorro. “Eles me mandaram para lá para ficar encostado e me tirar do Samu. Eu sou socorrista, não tenho o que fazer no PS”, afirmou. 
 
Desde sábado, ele tem permanecido no pronto-socorro, mas sem poder atuar. “Eu não posso dirigir as ambulâncias, porque não sou motorista. Também não posso agir como enfermeiro. Estou indo cumprir a determinação, mas não vejo razão para essa transferência que não seja a punição pelas denúncias.” 
 
Ele e outros socorristas disseram que resolveram denunciar a situação das ambulâncias com medo de que mortes acontecessem. “Denunciamos porque já tínhamos pedido a manutenção e eles (da Prefeitura) não fizeram nada. Como um serviço de urgência pode atender toda uma região com apenas um veículo operando? É um absurdo.”
 
O socorrista disse que procurou a supervisora do Samu, Giane Alves, para saber as razões de sua transferência. Mas ela se recusou a dar explicações. 
 
O socorrista gravou um vídeo em que aparece questionando a supervisora que sequer levanta de seu lugar para ouvir o rapaz. Apenas fala à distância para que ele procure o setor de Recursos Humanos. 
 
Revoltado com a punição, ele procurou o Sindicato dos Servidores Municipais nessa terça-feira. “Não acho certo o que estão fazendo comigo. Sou um funcionário exemplar. Nunca faltei ou cheguei atrasado. Sempre que me chamam para cobrir alguém, eu venho sem reclamar. Agora, porque estava tentando fazer a coisa certa, sou penalizado. Isso é um absurdo, revoltante!”
 
Ele disse que está há seis anos no serviço e nunca teve problemas com colegas ou supervisores. “Só não podia mais fechar os olhos e deixar as pessoas que precisam do Samu correndo o risco de não serem atendidas. Estou com a consciência tranquila”, afirmou. 
 
Para poder voltar para o seu posto, ele deve agora ingressar com uma ação na Justiça do Trabalho. Ele também deve pedir uma indenização por assédio moral.
 

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