Décio Antônio Piola, 62, respira o mundo jurídico há mais de quatro décadas. Membro de uma tradicional família formada por advogados e promotores, o então jovem universitário ingressou na Faculdade de Direito de Franca em 1973. Nunca mais se afastou da área. Cinco anos após receber o diploma, começou a dar aulas na instituição em que se formou. Construiu sólida carreira no Ministério Público, onde atuou por 25 anos.
Hoje, além de dar aulas, é o diretor responsável pela FDF, na qual estudam cerca de 1,3 mil alunos nos períodos diurno e noturno. Na sua gestão, a escola de ensino superior ganhou nova unidade, inaugurada em agosto último. São 4.200 metros quadrados de área construída e um investimento próximo de R$ 9,5 milhões, feito com recursos próprios. A expansão acontece, justamente, no momento em que a instituição sobe de posições em diferentes rankings de avaliação de qualidade.
Na sexta-feira, Décio Piola recebeu o Comércio e falou de sua ligação com o Direito e dos planos para a Faculdade que se transformou num berço de grandes juristas.
O sobrenome Piola pode ser definido como um sinônimo de pessoas ligadas ao mundo jurídico?
Acredito que sim. Muitas pessoas da família, meus filhos, sobrinhos, irmão, parentes em geral acabaram optando pela carreira jurídica. São vários advogados e promotores, como a minha cunhada, Rosana, o filho e a nora dela, o Rafael e a Nathália. A minha filha, Fernanda, é advogada, meu filho, Décio Júnior, trabalha como analista do Ministério Público, enfim, o mundo jurídico faz parte de nossas vidas. Penso que nossa família é mais conhecida por essa atividade. O Direito está no nosso sangue.
Quando a família se reúne para alguma confraternização os encontros se transformam em discussão acadêmica ou há espaço para outros temas?
A gente se reúne com relativa frequência. Tratamos de assuntos diversos, mas sempre tem aqueles que gostam de falar sobre a área jurídica. É inevitável não comentar sobre as questões do Direito referentes à nossa cidade e ao País em geral. Mas não conversamos apenas sobre a área jurídica, não. Não é o assunto que predomina. Minha esposa Magali, por exemplo, é psicóloga, meu filho mais velho, Tiago, é formado em educação física, trabalhou em academia. Tem parentes que atuam em outras áreas, como medicina. Então, não ficamos envolvidos só com o Direito. Dá para diversificar um pouco o assunto (risos).
O senhor atuou como promotor de Justiça por quanto tempo?
Foram 25 anos mais ou menos. Comecei minha carreira como advogado, participei e cheguei à presidência da Associação dos Advogados. Antes mesmo de me tornar promotor, já era professor da Faculdade de Direito. Mas, quando fiz o curso de Direito, meu desejo já era ingressar no Ministério Público. Ao completar meus estudos, fiz o concurso e fui aprovado. Realmente, me realizei no Ministério Público. Me identifiquei muito com a promotoria.
O senhor foi aluno, é professor e chegou à presidência da FDF. O que a Faculdade representa para o senhor?
Nós temos um grupo de professores relativamente antigo aqui na Faculdade e temos um relacionamento diferenciado. Trabalhamos com muita harmonia. Também notamos que os alunos têm conhecimento do prestígio da Faculdade. A cada turma que vai passando pela FDF, percebemos a preocupação deles em manter esta tradição, o nome e o bom nível da Faculdade. Então, você pega o ótimo relacionamento que existe entre professores e pessoal do administrativo com o comprometimento dos alunos, isso nos orgulha e incentiva muito. Me sinto muito honrado em ter sido escolhido como diretor. Administrar nestas condições é uma honra a mais, um fator diferencial. A FDF faz parte de minha vida. Desde o momento em que decidi fazer o vestibular, há mais de 40 anos, passei a ter uma relação muito intensa com a Faculdade, onde, felizmente, estou até hoje. Tudo o que consegui na minha vida, devo à Faculdade de Direito, ao meu curso de Direito e aos meus professores. Foram eles que me ensinaram e me deram condições de atingir meus objetivos. É o que a gente procura fazer hoje: passar para as novas gerações aquilo que recebemos das gerações anteriores.
A FDF melhorou seus índices de avaliações este ano em relação a 2014. Qual a razão do bom resultado?
Temos um corpo administrativo muito atuante. Eles se preocupam mesmo e cada um procura fazer o melhor para manter a estrutura da Faculdade. Outro diferencial é a qualificação do corpo docente. Estamos investindo cada vez mais nesta qualificação e auxiliando para que eles possam fazer os cursos necessários. No caso do doutorado, por exemplo, pagamos 100%. Agora, o importante mesmo é o aluno. Não adianta ter estrutura e a qualidade do professor, se não ter o aluno motivado e com interesse. A participação e o desempenho dos alunos é o mais importante. A soma destes fatores fez com que a FDF subisse de posição no RUF (Ranking Universitário Folha), uma avaliação anual do ensino superior do Brasil feita pelo jornal Folha de S. Paulo desde 2012. O ranking avalia as instituições e reúne informações que podem ajudar futuros universitários a escolher sua universidade. Em 2014, a Faculdade ocupava o 172º lugar no quesito avaliação geral. Agora, subimos para o 78º. Na qualidade de ensino, pulamos do 62º lugar, no ano passado, para o 37º lugar este ano. Outra classificação que nos envaidece é a pontuação no Guia do Estudante, da Editora Abril, que avalia as melhores universidades do País. Tínhamos três estrelas. Agora, fomos para quatro. Tivemos uma nota 4, de um teto máximo de 5, no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes). Em razão da média que atingimos, a Faculdade teve o recredenciamento, automaticamente, aprovado. Esses fatores demonstram a qualidade do ensino. Enquanto algumas faculdades estão sendo submetidas à intervenção e fiscalização, a nossa está sendo automaticamente aprovada pelo nível. Felizmente, a cada ano, a Faculdade vem melhorando e consolidando os seus índices. Estamos investindo para atingir o máximo possível.
O que o novo prédio representará para o futuro da FDF?
Representará muito e contribuirá para o nosso progresso e melhora da qualidade de ensino. Agora, no fim deste mês, dia 23, já começam as aulas de pós-graduação. A criação deste curso é muito importante para a Faculdade. Temos o objetivo de conseguir, logo que possível, pois depende de uma série de fatores, implantar ali o nosso curso de mestrado. Estamos ampliando a parte da assistência judiciária, que vai se transformar em assistência jurídica. A primeira, se limita a ingressar com a ação ou a defender alguém que está sendo acionado. Na assistência jurídica, teremos condições de orientar a pessoa como resolver conflitos diversos. Esperamos fechar convênio com o Tribunal de Justiça até o fim deste mês para implantar o Cejusc, centro que realizará mediações e conciliações. Outra boa notícia que temos é a ampliação de nossa biblioteca. Vamos atender antiga reivindicação do diretório e o ex-aluno também poderá retirar livros para estudar em casa. Antes, ele precisava vir estudar aqui. Além disto, também estamos assinando convênios com três editoras para poder oferecer o livro eletrônico. Com a Saraiva, assinamos a biblioteca digital Proview. É a primeira faculdade do Brasil a fazer este convênio. O aluno poderá acessar os livros que estuda de onde ele escolher. Vamos colocar no ar em breve, mas, neste caso, o acesso será permitido apenas para os atuais alunos.
Qual é o reflexo da crise econômica na Faculdade?
Por enquanto, não estamos sentindo isto, não. Acho que a Faculdade pode ser afetada nas mensalidades se a situação continuar piorando. Teremos uma visão melhor disto em dezembro, quando fazemos o levantamento e vemos o índice de inadimplência.
Franca tem três instituições de ensino de Direito e coloca quase 200 novos advogados no mercado por ano. Tem espaço para todo mundo?
Tem muito espaço. Ainda falta muita gente para trabalhar na área, pois o campo é vasto, enorme. O bacharel em Direito tem uma vasta área pela frente, as opções e oportunidades são imensas. Se a pessoa se dedicar e investir há, sim, vários espaços para se trabalhar e progredir. Quanto mais o bacharel se aperfeiçoa, aprende outro idioma, mais ele vai longe. Não há limites para o profissional do Direito.
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