Se o 12 de outubro lhe é consagrado, é justo que nesse dia a criança exerça seu reinado, em caráter interino e com relativa subordinação dos adultos a cuidadores de seus duvidosos interesses. Conquanto, em nossos dias, seja ela menos ingênua, temos que tê-la na conta de incapaz de discernir, por faltar-lhe vivência e noções de vida, razão imperativa da inalienabilidade da autoridade de pais e educadores, cujas rédeas hão de consistir na aplicação do ‘sim’ e do ‘não’, toda vez que são chamados à manifesta conjugação do verbo amar.
Ainda movidos a fantasias, muitas crianças, nesse dia, se julgam com o direito de exigir presentes distantes das possibilidades aquisitivas dos pais ou responsáveis, que sofrem o peso da primazia da data, porque ocasião apropriada para confirmarem o amor de todos os dias.
Excitando-lhes o desejo e o espírito consumista a ponto de mover brios e corações, a propaganda é a mão forte das empresas a invadir bolsos e sentimentos, com respaldo na democrática alegação de que ninguém é obrigado a comprar. Mesma auto-regulamentada para que não produza resultados desajustados no espírito infantil, continua muito presente na mídia.
Do outro lado está o empenho dos pais em atender os anseios dos filhos, na escolha do melhor presente, do brinquedo inteligente, fazendo repetir a presença chinesa das invenções espetaculares, dos carrinhos e naves automatizados, que não fascinam só crianças. Mas, serão mesmo esses os melhores presentes? Os nossos filhos esperam que lhes demos apenas algo que, acabado o interesse, desprezarão?
Nada permanece nos refolhos de sua alma, senão a construção de suas qualidades morais, calcada no verdadeiro amor e na certeza de que lhes somos modelos de vida.
Demais, é preciso que lhes certifiquemos de que a felicidade efetiva tem fonte nos ensinamentos de Jesus, o mesmo que recomendou: ‘Deixai que venham a mim as criancinhas. Não as impeçais.’
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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