Recessão no Brasil continua crescendo


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Estamos vivendo na atualidade um dos momentos mais críticos de nossa economia. A recessão chegou de vez e cresce a olhos vistos, com um aumento na inadimplência, no índice de desemprego e deterioração do câmbio. Além disso, a inflação chega perigosamente perto dos dois dígitos e a perspectiva de dois anos de retração da atividade econômica apontam para uma lenta e demorada recuperação, caso as medidas tomadas pelo governo recentemente (e as que ainda podem ser aprovadas no Congresso) surtam efeitos práticos. Caso ocorra o contrário, que Deus nos ajude: o Brasil pode embarafustar-se num buraco ainda maior do que agora, o que deverá ampliar mais ainda a recessão. 
 
Analistas acreditam que, caso o governo consiga reverter o descontrole das suas contas, ainda terá muito trabalho para combater a inflação, barrar o crescimento do desemprego e reverter a desconfiança dos investidores estrangeiros. Só resolver o déficit público pode até livrar a presidente Dilma Rousseff (PT) de um impeachment, mas não será capaz de levar o País a retomar o crescimento e voltar a ocupar lugar de destaque entre as maiores economias do mundo. Hoje, o Brasil já aparece no nono posto entre as economias mais fortes (perdeu duas posições para a Índia e para a Itália), conforme avaliação da ONU (Organização das Nações Unidas). E dizer que já estivemos perto de sermos a quinta maior economia do mundo.
 
Índices divulgados nos últimos dias mostram que pouco menos de 40% da nossa população adulta está inadimplente. Ou seja, 57 milhões de pessoas têm o nome registrado em algum cadastro de devedores. Ao mesmo tempo, a poupança vê uma fuga recorde de recursos, mostrando nossa situação atual: muitos estão tirando o dinheiro da poupança para pagar dívidas. Considerado um investimento até certo ponto conservador — hoje, aplicar na caderneta não garante a recomposição de juros reais e correção monetária —, a aplicação registra números negativos desde o início do ano, refletindo a situação crítica de nossa economia.
 
Caso não haja um esforço onde o governo busque não apenas zerar o déficit público, mas também aja no sentido de fazer a economia doméstica andar, continuaremos a acompanhar a deterioração de todo o setor produtivo, que hoje se ressente de incentivos para retomar a produção e buscar mercados que compensem a queda nas vendas internas. Enquanto aqueles que detêm o poder não se conscientizarem de que atuação política é mais do que reivindicar cargos, postos e verbas o brasileiro estará fadado a ser o primeiro a pagar pelos erros alheios e o último a ser considerado na tomada de decisões. 
 
 
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