O médico Daniel Gutierrez, dono da empresa Unidade de Serviços Médicos Cambuí, por meio da qual os falsos médicos que atuaram em Franca recebiam seus salários, prestou depoimento à Polícia de Mairinque (SP), que também investiga a ação dos falsários. O depoimento aconteceu no início de setembro. Daniel estava acompanhado de dois advogados, quando disse que dois dos falsos médicos que atuaram em Franca foram indicados por um diretor do ICV (Instituto Ciências da Vida).
À polícia, ele disse que conheceu o ICV, que prestou serviços em Franca de junho de 2014 a 4 de setembro deste ano, através da indicação de um amigo, também médico. Daniel disse que foi apresentado a João Rocha, apontado por ele como dono da empresa, no final de 2013, quando teria sido convidado a ocupar uma vaga de coordenador médico em Vargem Grande do Sul (SP).
Foi João Rocha que, segundo Daniel Gutierrez, pediu a ele que emprestasse a conta de sua empresa para que médicos do ICV pudessem receber seus salários. “O João pediu que eu autorizasse o pagamento de médicos na conta da minha empresa. Eles não tinham CNPJ. Em troca, me ofereceu a coordenação nas cidades em que o ICV atuasse. Eu aceitei.”
Ele também afirmou que, antes de o ICV fechar o contrato com a Prefeitura de Franca, João Rocha o teria chamado para uma conversa em um hotel em Nova Odessa (SP). No encontro, Daniel teria conhecido Bertino Rumarco da Costa, que usava o nome de Naas Adonais de Carvalho Assis. “Foi o João quem me apresentou o Naas como médico. Ele disse que o Naas era de sua confiança e que havia tido problemas com políticos em Várzea Paulista (SP) e, por isso, queria transferi-lo para trabalhar comigo em Vargem Grande.”
Antes que a transferência se concretizasse, Daniel contou que o contrato com Franca havia sido assinado e, então, os planos mudaram. “O João disse que o Naas e eu teríamos que ir para Franca, onde eu atuei como coordenador.”
Em Franca, Daniel disse que conheceu outro falsário. Pablo Mussolin, que usava o nome de Pablo Galvão, foi encaminhado por João Rocha. “O Pablo me ligou. Disse que o João o havia indicado e que ele estava disponível para prestar serviços. Ele disse que teve problemas com a secretária de Saúde de Vargem. João achou por bem transferi-lo para Franca.”
Daniel Gutierrez ainda entregou à Polícia uma lista com vários nomes de médicos que receberam por meio de sua empresa. Ele negou que, à época dos fatos, soubesse que se tratavam de falsos médicos. Disse que só tomou conhecimento quando viu reportagens na televisão.
ICV
O Comércio procurou o ICV e João Rocha para comentar as declarações de Daniel Gutierrez. Ambos preferiram se manifestar por meio de uma nota oficial em que afirmam que o “ICV é uma entidade da sociedade civil, composta por um Conselho Deliberativo não remunerado, tendo sua atividade-fim executada por um quadro diretivo e técnico contratado, composto por profissionais gabaritados, com alto nível de conhecimento e profissionalismo. João Rocha é um de seus diretores, respondendo pela Diretoria de Operações da OS e as suas relações tanto com o Dr. Daniel Gutierrez como com outros profissionais médicos sempre foram estritamente institucionais”.
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