Amor, fé e superação marcam a história da francana Ariane Ribeiro Pereira, que completou 17 anos ontem. Com problemas no fígado e precisando de um transplante para continuar a viver, quando tinha 2 anos e 6 meses, ela recebeu parte do órgão do pai, Anderson Pereira Reis.
Segundo a mãe da jovem, Rosemeire Gomes Ribeiro, sua filha começou a apresentar problemas no fígado aos 3 meses de vida. Passando por diversos profissionais e, até mesmo tendo o diagnóstico de que não sobreviveria, a menina foi encaminhada para o Instituto da Criança em São Paulo onde, após exames de compatibilidade, ela teve transplantado, no dia 2 de abril de 2001, parte do órgão do pai.
Antes do transplante, porém, o pai de Ariane teve de realizar mais de 70 exames para que o procedimento fosse um sucesso. O fígado, além do rim, é o único órgão que pode ser transplantado entre pessoas vivas. Com a capacidade de se regenerar, cerca de 40% do órgão do doador é removido e transplantado no receptor. Tanto o fígado de um quanto o de outro crescem e se recuperam.
Desde então, a menina já passou por diversas cirurgias corretivas e enfrentou o começo de uma rejeição do órgão dez anos depois da realização do transplante. “Preciso tomar os medicamentos para o resto da minha vida e me cuidar. Mas isso não é nada, perto do privilégio e da graça que tive de continuar vivendo”, disse a jovem.
Para a mãe da jovem, a fé em Nossa Senhora Aparecida foi essencial para lhe dar força para enfrentar os obstáculos, além de garantir o sucesso do procedimento realizado na filha.
O pai se diz privilegiado por ter tido a oportunidade de ajudar a salvar a vida da filha. “Fico emocionado ao ver a minha filha completando 17 anos, crescendo e levando uma vida completamente normal, como todos os outros jovens. Se fosse preciso, faria tudo de novo”, disse.
Rotina
Frequentando o 2º ano do ensino médio, Ariane sonha cursar gastronomia e tornar profissão uma das coisas que mais adora fazer. Apesar do transplante, a jovem faz questão de ressaltar que tem uma vida completamente normal. “Gosto de sair com meus amigos, dançar e fazer tudo que um não transplantado faz. Tenho consciência que precisarei ter cuidados maiores que meus amigos, por toda a minha vida, mas isso jamais me impediu de fazer nada”, disse.
Tomando medicamentos todos os dias, Ariane retorna todos os anos ao Instituto da Criança, para realizar exames de rotina.
Comemoração
Apesar de ter completado 17 anos ontem, Ariane e a mãe fazem questão de lembrar que ela tem duas datas para celebrar a vida, já que consideram o dia do transplante como um renascimento. Tímida, a jovem não quis uma festa e decidiu sair para comemorar com os amigos.
“Acredito que temos que celebrar todos os dias a vida. Minha filha é o maior amor da minha vida e tenho orgulho de todas as batalhas que ela enfrentou e venceu”, disse a mãe Rosemeire, emocionada.
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