Médicos faltam a oitiva da CEI dos Falsários


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Vereadores Daniel Radaeli (PMDB), Jépy Pereira (PSDB) e Márcio do Flórida (PT), membros da CEI, devem decidir hoje se ouvirão testemunhas em Sorocaba e Campinas
Vereadores Daniel Radaeli (PMDB), Jépy Pereira (PSDB) e Márcio do Flórida (PT), membros da CEI, devem decidir hoje se ouvirão testemunhas em Sorocaba e Campinas
Os dois médicos convocados para depor nesta quinta-feira na CEI (Comissão Especial de Inquérito) que investiga a ação de uma quadrilha de falsos médicos e os contratos assinados pela Prefeitura com o ICV (Instituto Ciências da Vida), empresa responsável pela contratação dos falsários, não compareceram para serem ouvidos. Daniel Gutierrez e Reinaldo Letrinta enviaram justificativas por meio de seus advogados. Ambos alegaram que, como são médicos em Campinas e Sorocaba, não teriam condições de se deslocar até Franca.
 
Na verdade, as justificativas são uma manobra dos médicos para evitar a exposição à imprensa. Durante a semana, seus advogados já haviam procurado o gabinete do presidente da CEI, o vereador Márcio do Flórida (PT), interessados em saber se a oitiva seria aberta ao acompanhamento de jornalistas. 
 
Ainda nessa quinta-feira, eles também apresentaram um requerimento pedindo para que fossem ouvidos em suas cidades de origem por meio de carta precatória. Daniel Gutierrez ainda acrescentou uma cópia de seu depoimento à polícia em Mairinque, cidade que também investiga a ação dos falsários. “Eles pediram que fossem ouvidos por outras pessoas lá em Campinas e Sorocaba, mas isso não é possível”, disse Márcio do Flórida. 
 
Agora o presidente da CEI deve se reunir com os dois outros membros da comissão, os vereadores Daniel Radaeli (PMDB) e Jépy Pereira (PSDB), para propor que os três viajem para Campinas e Sorocaba e façam eles próprios as oitivas naqueles municípios. “Eu considero os depoimentos desses médicos muito importantes para as investigações. Então, vou conversar com os demais membros da CEI para discutir se é viável nosso deslocamento e como seriam feitos os depoimentos nesses municípios”, disse o presidente. 
 
A reunião deve acontecer nesta sexta-feira. Caso os pedidos sejam aceitos, os novos depoimentos devem ser marcados dentro de 15 dias. “E mesmo lá, também serão abertos à imprensa”, garantiu Flórida.
 
Histórico
Daniel Gutierrez e Reinaldo Letrinta foram convocados porque são donos de empresas que concorreram com o ICV na disputa pelo contrato milionário com a Prefeitura de Franca. 
 
Gutierrez é dono da Unidade Médica Cambuí, que aparece como “concorrente” do ICV em quatro dos cinco processos licitatórios para a contratação de médicos para os Prontos-socorros Infantil e “Álvaro Azzuz”. Ele também foi um dos primeiros médicos contratados pelo ICV para trabalhar em Franca. Foi, por meio de depósitos feitos diretamente na conta da Unidade Cambuí, que quatro falsos médicos receberam seus pagamentos em julho, agosto e setembro do ano passado. 
 
Já Reinaldo Letrinta é um dos proprietários da Corpe Clin, uma empresa com sede em Cabreúva, próximo a Campinas. A empresa foi outra “concorrente” do ICV. Reinaldo, além de médicos do instituto, ainda ocupava o cargo de diretor médico do ICV.
 
O ICV atuou em Franca de julho do ano passado a 4 de setembro deste ano. No período, foram cinco contratos assinados em caráter de urgência. Até o momento, a Prefeitura já repassou ao ICV mais de R$ 22 milhões. O instituto era responsável por disponibilizar médicos para o atendimento nos prontos-socorros. Foi entre os profissionais da empresa que a Polícia identificou oito falsos médicos agindo. Dois deles chegaram a ser presos e hoje respondem a um processo criminal em liberdade. 
 
 

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