Eu não tenho nenhum motivo


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Eu não tenhoque prestar contasnem da palavranem do gesto.

Não tenho os porquês.Tampouco creio que existam.Existe, sim, o fato,o hoje, o agora visível.

Mas o motivo,a causa do hoje inexiste.Não está no ontemnem no amanhã,que também não são.

Hoje soou um homemaos quarenta anos,caneta em punho, pensando,rabiscando ao som dos grilos.

A noite escura(obviamente escura!)existe lá fora.E essa luz artificialcá dentro (do quarto).

Luz inútil, pois que tambéminexiste ontologicamente.Uma vez que não muda o fatode que, embora brilheinternamente no quarto,não muda o fato de quea noite é noite.

A luz internaapenas faz da noiteuma justificativapara aparentemente existir.

Eu, sim, existo.Este aglomerado de célulasa que chamam Ronaldo.Enfeitado com alma,inteligência e vontade.

Se o amanhã viere houver quemme interrogue: “por que?”Juro que mando às favas.

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