O que muitos esperavam aconteceu: nem entregando o seu governo nas mãos do padrinho Luiz Inácio Lula da Silva e do PMDB, e se tornando refém de seus próprios aliados, a presidente Dilma Rousseff (PT) conseguiu alcançar seus propósitos mais urgentes. Ontem, pela segunda vez, a sua base não conseguiu quórum no Congresso Nacional para aprovar os vetos que a chefe da Nação apôs em verdadeiras pautas-bomba aprovadas pelo Legislativo. Elas podem inviabilizar todo o esforço que se cobra dos brasileiros com o proposto ajuste fiscal que sangra ainda mais o bolso de quem trabalha e produz. A falta de organização dos líderes escalados pelo governo federal para conseguir manter os vetos deixa bastante claro que Dilma está ainda mais isolada e perde o apoio até daqueles que imaginou cooptar. Uma prova de que o PMDB do deputado federal Leonardo Picciani (RJ), grande beneficiado com a mudança ministerial, não é o mesmo PMDB do vice-presidente Michel Temer e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ).
O partido, que ainda conta com as maiores bancadas na Câmara e no Senado, está profundamente rachado e, a cada dia que passa, vê aumentar o número de filiados que consideram próximo o impedimento da presidente e a posse do vice. O PMDB quer se livrar de uma possível contaminação diante da proximidade com o PT, hoje visto como ‘pai’ da corrupção que afanou cofres da Petrobras e de outros órgãos públicos. A intenção, ainda, é “blindar” Michel Temer que ainda corre o risco de se ver impedido de suceder Dilma no caso de impeachment: o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mantém o processo que investiga as contas da reeleição da presidente e do vice. O PMDB considera que pode assumir sozinho a presidência da República, pavimentando o caminho para disputar o posto através do voto em 2018.
Cada vez mais isolada, Dilma hoje é um fantasma no Planalto: o fantasma de uma presidente que não preside, de uma administradora que não administra e de uma articuladora que não articula. Comanda um ‘não governo’ que se arrasta diante das denúncias de corrupção, fraudes e incapacidade administrativa. Nenhuma das decisões tomadas recentemente tem surtido o efeito esperado e, o que é pior, arrasta ainda mais o governo federal para o olho do furacão. Hoje, a presidente não tem qualquer garantia de que sua base será capaz de evitar o impeachment, ainda mais depois de perceber que nem consegue reunir aliados para manter os seus vetos, imprescindíveis para não comprometer completamente a governabilidade. Esta é a situação atual, que pode piorar caso o “fogo amigo” continue provocando derrotas a Dilma Rousseff no Congresso Nacional.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.