Alunos e professores do Sesi e do Senai fizeram um protesto na Câmara, ontem, e pediram o apoio dos vereadores contra o possível corte de verbas do Sistema S (Sesi, Senac, Senai, Sesc, Sebrae, Senar, Sest, Senat e Sescoop).
Uma das propostas em estudo pelos técnicos do Congresso Nacional para reduzir o déficit do Orçamento 2016 é a retenção de até 30% do valor repassado às instituições. Os recursos são usados pelas escolas para promover a qualificação de trabalhadores da indústria e do comércio. O eventual corte poderá comprometer o atendimento a 2,7 milhões de estudantes no País.
Na última sexta-feira, 2, alunos, pais e colaboradores do Sesi realizaram um ato de repúdio diante da escola, no Bairro Santa Cruz, contra a proposta apresentada pelo governo federal.
Ontem, os manifestantes lotaram as dependências da Câmara para demonstrarem a insatisfação. “Viemos mostrar aos vereadores nossa indignação com esta medida do governo. O corte da verba representa, de imediato, o corte nos nosso cursos e nas nossas atividades. O futuro do bom trabalho prestado ficará comprometido”, disse Wagner Lopes, diretor do Senai.
Ivair Alves Luís, diretor do centro de atividades do Sesi, disse que o apoio de todas as Câmaras do Estado será importante para sensibilizar os deputados e senadores a votarem contra a proposta do governo federal. “Querem confiscar um dinheiro que é da indústria. Se isto acontecer, teremos 30% menos educação, 30% menos formação profissional, 30% menos esporte e, assim, por diante. Será inevitável haver redução em alguns serviços também”.
Os vereadores aprovaram uma moção de apoio à causa do Sistema S, que deverá ser enviada nos próximos dias ao Congresso Nacional.
“É um verdadeiro achaque o que estão fazendo com o dinheiro da indústria. A única coisa que dá certo no País é o Sistema S, mas estão tentando tirar o dinheiro com a mão grande. Não aceitaremos pagar esta conta”, disse Daniel Radaeli (PMDB).
“Estão tirando o direito do jovem de valor, do cidadão de bem. Isto, não é um partido. É uma facção criminosa”, disse Josivaldo Bahia (PTB).
Cortes
Antes mesmo que a eventual retenção de 30% dos repasses seja aprovada, a direção do Sesi se antecipou e readequou o orçamento para 2016, efetuando corte de despesas em todos os segmentos, visando manter a saúde financeira da instituição.
A medida, tomada por conta da crise econômica que afeta diretamente a arrecadação da escola, começou a ser informada esta semana aos pais de alunos.
Entre outras medidas anunciadas, haverá a desativação do período integral do 6ª ao 9ª ano em todas as unidades, a partir de 2016, passando a regime parcial. Temporariamente, não haverá abertura de vagas para o 1ª ano do ensino fundamental nas unidades externas, que funcionam em prédios alugados e/ou cedidos. Também não serão abertas vagas para o 1ª ano dos cursos técnicos realizados pelo próprio Sesi. A mensalidade será reajustada.
“Temos consciência de que estas medidas podem vir a alterar a dinâmica familiar, no entanto, neste momento, são absolutamente necessárias”, escreveu, na carta enviada aos pais, o diretor da Divisão de Educação e Cultura do Sesi, Fernando Antônio Carvalho de Souza.
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