Ruim aqui dentro, pior ainda lá fora


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A dificuldade do setor produtivo brasileiro em conseguir aumentar a sua presença em outros países tornou-se bastante evidente diante de um governo onde inexistem políticas industrial e de relações exteriores. O Brasil só consegue melhores resultados no comércio exterior diante da valorização das commodities, principalmente agropecuárias. Já a exportação de manufaturados e produtos industrializados com alto valor agregado está cada vez mais difícil, uma vez que o Planalto não consegue fechar acordo de comércio mesmo com parceiros tradicionais. A Argentina, por exemplo, reduziu bastante a compra de automóveis do Brasil, o que tem impactado toda a cadeia de produção de forma negativa. O acordo de livre comércio com a União Europeia não saiu do papel e, enquanto outros países tornam-se parceiros, o nosso continua andando para trás.
 
Mesmo com a possibilidade de ser barrado pelo Congresso norte-americano, autoridades dos Estados Unidos, do Japão e de dez países da região do Pacífico fecharam ontem um histórico acordo para reduzir barreiras comerciais e tarifárias e estabelecer regras comuns para um bloco de nações que representa 40% da economia global. Além dos EUA e do Japão, os países integrantes da chamada Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês) são: Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Singapura e Vietnã. Segundo o jornal New York Times, o acordo prevê eliminar milhares de tarifas de importação, instituir padrões sobre propriedade intelectual das corporações, reprimir o tráfico de animais selvagens e abusos ambientais.
 
Desde o governo de Luís Inácio Lula da Silva, mais de doze anos atrás, o setor produtivo brasileiro espera que haja uma movimentação neste sentido. Até agora, acordos fechados com parceiros da América Latina (Venezuela, Bolívia e Cuba, principalmente) só serviram para retirar dinheiro de investimentos daqui para lá. A condescendência da administração federal calcada na ideologia que os três países comungam nunca nos trouxe benefícios, muito pelo contrário. Até agora, os acordos firmados são extremamente danosos ao Brasil, beneficiando ditadores latinos e africanos, enquanto a indústria brasileira se vê à míngua, com altos estoques e produção parada, promovendo demissões para não tomar mais prejuízos. Se o setor produtivo não conseguir ampliar a presença em mercados fechados a seus produtos, a crise pode se prolongar ainda mais, uma vez que hoje a presidente Dilma Rousseff (PT) só luta para manter o próprio emprego. Empresários e trabalhadores que se lasquem!
 
 
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