A propagação da lagarta Helicoverpa armigera em escala nacional desde a safra 2012/13 e o alto índice de ferrugem asiática da soja, por exemplo, representam perdas anuais para o agronegócio equivalentes a R$ 8 bilhões e R$ 4,7 bilhões, respectivamente, segundo pesquisas da Embrapa e da Aprosoja. Apesar do enorme prejuízo justificar todas as medidas necessárias para minimizar esse impacto, os mesmos levantamentos das duas entidades também apontam danos ainda mais alarmantes de R$ 35 bilhões por ano, provocados por um parasita ainda desconhecido por muitos produtores e que não tem recebido a importância devida: o nematoide.
Ao contrário da fácil percepção que se pode ter com a presença de outras pragas, os nematoides são invisíveis a olho nu e vivem no solo se alimentando dos nutrientes nas raízes das plantas, o que leva ao crescimento deficiente da planta e até ao descarte ou perda total da produção, como acontece com 30% a 40% do cultivo de cenoura, goiaba e pimenta-do-reino. Para se ter uma ideia melhor do estrago que nematoides são capazes de causar em escala nacional, as perdas de produção somente de soja são estimadas em R$ 16,2 bilhões.
Os nematoides no Brasil estão disseminados em extensa área geográfica. Uma das principais causas para essa distribuição está no trânsito de máquinas e implementos agrícolas, como caminhões de soja, plantadeiras e colheitadeiras. Ao serem descolados de uma propriedade para outra, os equipamentos dão ‘carona’ para esses patógenos que se hospedam em novas áreas rurais ou se acumulam nas beiras de estrada.
Esse quadro perigoso e comprometedor só será revertido se houver uma ampla discussão agronômica que nunca existiu no Brasil, mesmo sendo reconhecido que em nosso país se pode contar com alguns dos melhores nematologistas do mundo. É nosso papel evitar que uma praga tão pequena continue causando rombos de proporções alarmantes na agricultura brasileira.
Andressa C.Z. Machado
Nematologista e pesquisadora do IAPAR (Instituto Agronômico do Paraná)
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