Depoimentos apontam que vítima de afogamento estava embriagada


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Policiais observam vítima de afogamento depois que ela foi retirada da piscina da Associação Atlética Francana no último dia 19
Policiais observam vítima de afogamento depois que ela foi retirada da piscina da Associação Atlética Francana no último dia 19
As investigações sobre a morte por afogamento do tapeceiro Maicon Prado Santana, 24, no clube da Associação Atlética Franca, no dia 19 de setembro, prosseguem. Além do laudo do IML (Instituto Médico Legal), que deverá sair nos próximos dias, a Polícia Civil tem trabalhado para esclarecer as causas e as responsabilidades sobre o ocorrido. Para isso, ouviu cinco pessoas que têm conexão com o caso e que podem prestar esclarecimentos. Uma delas é o salva-vidas. Ele afirmou que Santana estava muito embriagado quando chegou ao clube e relutou para sair do local.
 
A reportagem do Comércio teve acesso às declarações de testemunhas-chave para a investigação: o salva-vidas e o zelador do clube. Ambos trabalhavam no momento em que o tapeceiro chegou à Associação e tiveram contato com a vítima antes de sua morte. Embora a Francana não tenha, segundo o contrato firmado, responsabilidade sobre o que aconteceu por ter locado o clube ao Sindicato dos Sapateiros, seu presidente também foi ouvido. Além disso, o presidente do sindicato e o assessor da instituição participaram das oitivas.
 
Logo no começo das declarações, o delegado Luís Carlos da Silva, responsável pelas investigações, ouviu o salva-vidas do clube. Em sua versão dos fatos, o homem narrou que, às 16h15, quando estava na área das piscinas, se deparou com o tapeceiro embriagado, com fala arrastada, olhos avermelhados e nadando sozinho. Ele orientou para que a vítima saísse da água e fosse descansar. “Sei o que estou fazendo, cuida da sua vida e não me enche o saco (sic.)” foi o que declarou ter ouvido de Santana. 
 
O tapeceiro saiu e não foi mais visto pelo salva-vidas, que contou que às 16h45 começou a recolher as coisas para ir embora. Ele tirou o lixo, fechou guarda-sóis e foi chamado por uma moça para ajudá-la a procurar seus óculos. Os dois andaram pela área das piscinas e foram embora às 17h15. Ainda segundo seu relato, o salva-vidas só soube da morte de Santana quando recebeu uma ligação, às 18h50, do sindicato.
 
O segundo depoimento foi do zelador. Foi ele quem retirou Santana da piscina, morto. A testemunha contou que viu algumas roupas caídas perto do vestiário quando o expediente já tinha encerrado. 
 
“Às 17h20, ele se despediu do salva-vidas, que foi embora. Pouco depois, encontrou as roupas e passou a procurar o dono. Mas, já não tinha ninguém no clube, exceto a vítima, que estava dentro da piscina. Ele tirou o corpo, tentou ressuscitá-lo e acionou o Samu”, contou o delegado.
 
Segurança
Para levantar de quem seria a responsabilidade por ocorrências no clube e sobre o contrato da Francana com o Sindicato, Silva ouviu os presidentes e teve acesso ao documento. Uma das cláusulas aponta que “é obrigação do locatário a contratação de uma pessoa responsável pelo atendimento na recepção; a contratação de seguranças tanto dentro do salão como no interior do clube e salva-vidas para a área da piscina”. Isso, para o delegado, tira a responsabilidade da Francana no caso de negligência.
 
A outra cláusula determinante para o inquérito prosseguir é a que discorre sobre obrigações. “É de total responsabilidade indenizatória do locatário em caso de ações trabalhistas, processos cíveis e acidentários que possam ocorrer dentro da área do clube ora locado, bem como das ocorrências nos eventos organizados no seu interior”.
 
Para o delegado, se ficar comprovada a negligência em não ter um salva-vidas perto da piscina até o fechamento (17 horas), o sindicato poderá responder por um processo cível caso a família peça indenização. No caso de se tornar um processo criminal, alguém poderá responder por homicídio culposo. Mas, apenas as investigações e os depoimentos de familiares, fatos que acontecerão nesta semana, poderão ajudar a esclarecer esta tragédia envolta em mistério por não ter ninguém perto do tapeceiro na hora em que ele morreu.
 

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