Casais de mulheres programam casamento duplo para 2016


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Roseli da Silva e Michele Pinto, Crislei de Paiva e Luciene dos Santos. No dia 24 de junho de 2016, elas irão se casar no civil e irão comemorar em uma cerimônia dupla a união, no Centro Comunitário do Jardim Aeroporto. Das quatro, apenas Michele subirá ao altar pela primeira vez. Roseli, Crislei e Luciene decidiram romper uniões heterossexuais para assumirem suas verdadeiras orientações afetivas e, segundo as próprias, serem felizes.
 
“Fui casada por 24 anos, tive três filhos e sou avó. Com nove anos de idade eu me interessei por uma menina, mas nunca contei isso para ninguém e me escondi até os 35 anos”, contou Roseli. “Mas chega um momento em que a gente não consegue mais fingir ser quem não é”. 
 
O drama de deixar um marido e revelar-se aos filhos foi o mesmo vivido por Crislei e Luciene. Crislei disse que foi expulsa de casa em mais de uma oportunidade pela família, após abandonar o marido; já Luciene abandonou a família para evitar o drama das consequências. “Eu vivia em São Paulo. Contei para a minha família em um dia e, no outro, minha filha e eu já estávamos morando em Franca. Soltei a bomba e não fiquei para ver ela explodir”, disse Luciene.
 
Elas dizem que tanto receio se justifica pelo preconceito enfrentando. As quatro foram alvo de discriminação até mesmo quando tentaram contratar serviços para a cerimônia de seus casamentos. “Chegamos a um local para fazer orçamento para decoração e, na hora, a moça que nos atendeu disse que não sabia se poderia fazer nosso casamento porque ela era evangélica. Disse que iria ver o que poderia fazer para nós”, disse Crislei. “Minha família também é evangélica, então entendo como as pessoas pensam. Mesmo me sentindo chateada, resolvi não causar problemas.”
 
Quanto ao futuro, elas dizem esperar passar pelos obstáculos e momentos de alegria juntas, como casais e como amigas. “O mais importante é ser feliz. Eu prefiro me assumir e enfrentar o que vier no lugar de viver fingindo”, concluiu Michele.

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