Lutando pela sobrevivência


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Muitos analistas estão considerando que, finalmente, nove meses após a posse oficial, a presidente Dilma Rousseff (PT) dará a largada a seu segundo mandato na próxima segunda-feira. Ontem, anunciou o corte de oito ministérios e outras medidas, estas com alto viés demagógico, no sentido de barrar o movimento pelo impeachment que vinha crescendo no Congresso Nacional e, ao mesmo tempo, conseguir apoio para a volta do imposto do cheque, que a sua equipe econômica considera primordial para cobrir o rombo que as “pedaladas fiscais” e “a contabilidade criativa” deixaram no caixa do Tesouro Nacional. Pelo que foi aprovado até agora, dificilmente o governo conseguirá reverter os números negativos e muito menos comandar a retomada do crescimento econômico. Um novo imposto do cheque, que a própria presidente já tinha considerado um “engodo”, servirá apenas para equilibrar as contas.
 
Além do corte de ministérios, onde acomodou sete peemedebistas em pastas consideradas de maior musculatura, a presidente anunciou redução de 10% nos salários do primeiro escalão, demissão de 3 mil servidores comissionados e corte de alguns benefícios: a partir de agora, ministros de Estado não viajarão mais de primeira classe e só o titular de cada pasta terá direito a um carro oficial. Estas últimas decisões servem mais para a presidente apontar que está fazendo a sua parte, numa tentativa de reverter os altos índices de reprovação ao seu governo. Não passa de demagogia que, na realidade, não fará grande diferença no caixa do governo. Caso anunciasse o corte de pelo menos 20 mil comissionados, o cancelamento do cartão corporativo e a redução dos gastos com diárias em todos os níveis da administração federal, talvez Dilma estivesse fazendo melhor a lição de casa que ainda não efetuou.
 
A volta do imposto do cheque, a única solução que a equipe econômica do governo considera capaz de reequilibrar as contas do Tesouro, ainda encontra uma série de resistências dentro da própria base aliada no Congresso, diante das pressões de grupos tão díspares como Fiesp, MST, CNI e CUT, ainda mais quando o novo ministro Marcelo Castro (PMDB) sugere cobrança dupla da CPMF. Com a reforma ministerial, Dilma praticamente entrega os pontos e aumenta a influência de Michel Temer (PMDB) e Luiz Inácio Lula da Silva em seu governo. Acusada de ter perdido o controle do próprio mandato, agora mesmo é que precisa pedir amém ao seu vice e ao seu padrinho político para prosseguir na Presidência, sem ter qualquer garantia de que conseguirá vencer a crise econômica e muito menos a ameaça de impeachment. E isto é muito ruim para o País, que tende a continuar sem rumo.
 
 
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